Rio Tinto paga US$700 mi ao governo da Guiné e fica em Simandou

A gigante da mineração Rio Tinto informou na sexta-feira que pagará ao governo da Guiné 700 milhões de dólares em um acordo para resolver todas as disputas pendentes relacionadas aos blocos 3 e 4 do projeto Simandou de minério de ferro.

BATE FELIX, REUTERS

22 de abril de 2011 | 17h11

A empresa disse em um comunicado enviado por email à Reuters que assinou um acordo para garantir à Rio Tinto os direitos de mineração dos blocos sul de Simandou, abrindo o caminho para um investimento de cerca de 10 bilhões de dólares, com a primeira remessa de minério de ferro prevista para até meados de 2015.

A companhia anglo-australiana Rio Tinto já deteve toda a concessão do Simandou, mas foi cortada da metade do norte do projeto, que agora é tocado pela brasileira Vale e parceiros. No ano passado, o governo da Guiné afirmou que a Rio Tinto também poderia perder os blocos do sul, onde a empresa da Austrália quer fazer uma parceria com a chinesa Chalco.

"O acordo de hoje nos dá a certeza de que precisamos para que possamos investir e avançar rapidamente, a fim de explorar esse grande recurso", disse Sam Walsh, o diretor-executivo da Rio Tinto para minério de ferro, no comunicado.

A Guiné cortou a Rio Tinto dos blocos 1 e 2 durante o governo do ex-presidente Lansana Conte, que morreu em dezembro de 2008 e foi substituído em um golpe violento por uma junta militar.

A Rio Tinto tentou durante muito tempo obter os blocos de volta, mas a BSG, uma empresa controlada pelo bilionário israelense e comerciante de diamantes Beny Steinmetz, os adquiriu e assinou um acordo em abril do ano passado com a gigante brasileira Vale SA para explorá-los.

A Vale informou na quarta-feira que "as obras de implantação da primeira fase do projeto Simandou, que envolve o desenvolvimento da mina de Zogota e pesquisa para estudos de viabilidade dos blocos I e II, continuam normalmente".

A mineradora suspendeu no entanto, a pedido do governo da Guiné, o projeto de melhoria que iria fazer em uma ferrovia para escoar o minério de ferro.

(Reportagem de Bate Felix; bate.felix.reuters.com@reuters.net)

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