Rios voadores: água levada por cima de nossas cabeças

ENTREVISTA - Gerard Moss, ENGENHEIRO MECÂNICO E PILOTO DE AVIÃO

, O Estado de S.Paulo

20 Março 2011 | 00h00

Gerard Moss é o idealizador do projeto Rios Voadores, que mapeia o papel da Amazônia na produção de vapor d"água que alimenta outras regiões do País. Suíço e filho de pilotos de rali, ele já voou ao redor do mundo em um monomotor da Embraer. Ao Estado, falou sobre a iniciativa, patrocinada pela Petrobrás, que agora vai chegar às escolas por meio de cartilhas, material didático e capacitação de professores.

O que são os rios voadores e quanta água transportam?

São cursos de água atmosféricos que levam umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil. São cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia transportadas de forma "invisível", por cima das nossas cabeças. Para se ter uma ideia, a vazão média do Amazonas é da ordem de 17 bilhões de toneladas de água por dia. Ou seja: a quantidade de água evaporada diariamente supera a vazão do maior rio do mundo.

Essa água vem da floresta?

Não. Boa parte vem do mar, mas a floresta funciona como uma bomba biótica. Da porta de entrada dessa água (Belém, na baía do Guajará, e cidades litorâneas) até o Acre, acontecem 2,8 ciclos hidrológicos (evaporação, condensação, precipitação). Resumindo: se não tivéssemos a floresta, menos água chegaria aos pontos mais remotos. Estudos recentes mostram que a condensação de água sobre a floresta faz com que a pressão, nesses locais, seja menor do que sobre o mar. Isso faz com que a umidade que há sobre o mar seja atraída para a floresta.

Qual o próximo passo do projeto Rios Voadores?

Estamos iniciando uma ação em escolas, nas cidades por sobre as quais os rios voadores passam: Londrina, Ribeirão Preto, Uberlândia, Brasília, Cuiabá e Chapecó. Começamos no dia 26 de abril em Ribeirão Preto. Vamos fazer com que as crianças estimem a quantidade de água atmosférica vinda da Amazônia. Num primeiro momento, vamos capacitar cerca de 180 professores e pretendemos atingir algo em torno de 30 mil crianças. / KARINA NINNI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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