Risco de guerra civil no Iraque 'está superado', diz premiê

Nouri Maliki abre conferência na Suécia renovando pedido por perdão da dívida do país.

Claudia Varejão Wallin, BBC

29 de maio de 2008 | 12h35

O primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, disse, nesta quinta-feira, que o risco de uma guerra civil devastadora no país foi superado.Falando na abertura da conferência internacional sobre o Iraque, em Estocolmo, na Suécia, Maliki destacou que, pela primeira vez após cinco anos de guerra, o Iraque mostra hoje firmes sinais de progresso na direção da normalização do país.Segundo o premiê, a economia começa a produzir resultados "notáveis", especialmente com as exportações de petróleo atingindo seus maiores níveis desde 2004.Em seu pronunciamento, Maliki renovou o apelo aos credores internacionais pelo perdão da dívida iraquiana, avaliada em US$ 67 bilhões, a fim de permitir o direcionamento de todos os recursos disponíveis para os esforços de reconstrução e desenvolvimento do país.O premiê iraquiano pediu ainda o cancelamento do pagamento das compensações impostas ao Iraque após a invasão do Kuweit pelo ex-ditador Saddam Hussein, em 1990. "Esperamos que nossos países irmãos cancelem a dívida, que representa um fardo para o governo iraquiano", disse ele.O montante total da dívida do Iraque chegava a mais de US$ 120 bilhões, mas segundo o Departamento de Estado americano, cerca de US$ 66,5 bilhões foram perdoados - o que transformou os países árabes nos principais credores do Iraque.'Novo começo'O primeiro-ministro renovou os apelos pela ajuda da comunidade internacional para a reconstrução do país, mas enfatizou que o Iraque passa agora por um novo começo. Maliki observou que a inflação foi reduzida de 65% em 2006 para 22% em 2007, e que as taxas de desemprego devem cair de 28% em 2003 para 17% até o final de 2008. O primeiro-ministro destacou ainda que, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional, a expectativa é de que as taxas de crescimento atinjam 8% nos próximos dois anos, e observou que 96 novas e importantes leis foram criadas."Pela primeira vez na história, o Iraque busca uma integração plena na economia regional e global", disse Maliki. "Mais do que nunca, o mundo necessita dos recursos do Iraque, especialmente petróleo e gás", acrescentou ele, dizendo que o que o Iraque espera agora da comunidade internacional é assistência para a reestruturação do país.O secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que com a redução da violência no país, o Iraque se afasta do abismo que todos temiam, e que a melhor palavra para definir o Iraque hoje é esperança. Mas Ban alertou que a situação permanece frágil e fez um apelo pela reconciliação política. Ao lado do primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, a secretária de Estado americana Condoleezza Rice destacou que o Iraque vive um novo momento, e que o objetivo central da conferência de Estocolmo é ajudar agora o governo iraquiano a construir uma nação estável e democrática, através de iniciativas como assistência tecnológica. Segundo as Forças Armadas americanas, os números da violência no Iraque caíram para os índices mais baixos dos últimos quatro anos. Mas as divisões políticas no país se intensificaram. O principal bloco muçulmano sunita, que deixou a coalizão governamental em agosto do ano passado, suspendeu na quarta-feira as negociações para retornar ao governo devido a divergências sobre um posto ministerial.A conferência será encerrada no final desta quinta-feira, com uma declaração conjunta que deverá definir os próximos passos para a estabilização do Iraque.A presença policial foi visivelmente reforçada nas ruas de Estocolmo para receber os cerca de 600 participantes do evento, e uma grande manifestação de protesto contra a presença militar americana no Iraque está sendo convocada para o final da tarde no centro da cidade.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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