Riscos superam benefícios, diz Anvisa

Debate na agência surgiu após União Europeia banir a sibutramina; para diretor, proibir só essa substância levaria a uso abusivo de anfetaminas

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os benefícios não superam os riscos. É o principal argumento que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende usar na próxima semana, durante audiência pública, para convencer a classe médica de que é melhor proibir de vez o uso de medicamentos usados para emagrecer. Segundo Dirceu Barbano, diretor da agência, o assunto vem sendo discutido desde o ano passado, quando a União Europeia baniu a sibutramina. "Quase nenhum outro país tem sibutramina. As anfetaminas também estão diminuindo. E não há notícia de que isso piorou ou atrapalhou o tratamento da obesidade." Em 2009, foram vendidas no País 67,5 toneladas de sibutramina.    

 

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Barbano explica que, se a agência proibisse apenas o consumo da sibutramina, a tendência seria a migração para as anfetaminas. "Somos os campeões mundiais no consumo de anfetaminas. Aqui elas circulam indiscriminadamente, de maneira desconhecida."

 

Segundo Barbano, a Anvisa fez um levantamento interno e concluiu que, por mais que o medicamento seja controlado e indicado apenas para pacientes com determinados perfis, não há evidências suficientes que demonstrem que a perda de peso supera os riscos cardíacos.  

"A nossa proposta, sustentada por uma extensa pesquisa, é de retirada imediata desses produtos do mercado. A não ser que consigam nos demonstrar com dados consistentes que estamos errados e esses remédios são bons e seguros", diz.

O diretor da Anvisa também afirma que o orlistate (Xenical) continuará sendo comercializado. "Esse medicamento atua no intestino e traz resultados. O fato é que inibir o apetite com medicamento não é uma forma segura de tratar a obesidade."

A audiência pública não trará resultado imediato. Os dados serão enviados para análise final. Segundo Barbano, se houver proibição, o impacto é direto em farmácias de manipulação, mas não será necessário tirar das prateleiras os medicamentos. Eles terão o registro suspenso e sairão das farmácias naturalmente. "Certamente haverá um conjunto de reações, mas essa é uma decisão que vai gerar mais saúde."

PARA LEMBRAR: Proibição estimula venda irregular

- Medicamentos banidos do País ou que têm regras mais rígidas para a comercialização são comumente encontrados em pequenas farmácias, importados do Paraguai ou adquiridos por meio da internet.

- Um exemplo é o misoprostol, apresentado comercialmente como Citotec. Indicado para o tratamento de problemas gástricos, é famoso por ser abortivo. A venda é restrita a hospitais cadastrados, mas são comuns os casos de mulheres internadas após usarem o medicamento em casa.

- A dificuldade para combater a venda irregular não é só do Brasil. Em 2010, a Interpol realizou uma ação em 45 países para coibir o comércio de remédios sem receita. No País, a PF desarticulou uma rede que agia em sete Estados e apreendeu 15 mil comprimidos.

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