RJ pode ser o 1º Estado a ter vacina contra HPV

O Rio de Janeiro pode se tornar o primeiro Estado da federação a oferecer a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), responsável por alguns tipos de câncer, como o de colo do útero e de pênis. Foi publicada em Diário Oficial, hoje, lei que estabelece a criação de um "Programa Estadual de Vacinação contra o HPV", sem esclarecer, no entanto, qual será o público alvo, o tipo de vacina ou data para o início da imunização.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

10 Outubro 2011 | 19h33

"Fizemos uma lei bem ampla para que a secretaria possa se organizar. A ideia é começar com uma campanha de conscientização, porque não adianta comprar a vacina e as pessoas não aparecerem no posto", afirmou o deputado Bernardo Rossi (PMDB), coautor da lei. A Secretaria de Estado de Saúde limitou-se a informar que a lei ainda será regulamentada pelo poder executivo.

A vacina contra o HPV é oferecida na rede pública em alguns municípios brasileiros, como Itu (SP), Campos dos Goytacazes (RJ) e São Francisco do Conde (BA). Mas é a primeira vez que um Estado anuncia a vacinação em todo o seu território. Para a especialista em imunização Isabella Ballallai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, seção Rio (SBIm-RJ), a falta de definições na lei é preocupante. "Quando Campos anunciou a vacina, por exemplo, ela já havia sido comprada, a estratégia estava definida. É complicado criar expectativa na população. Não se implanta vacina por lei, é preciso traçar uma estratégia, estabelecer o custo-benefício - até porque uma das preocupações da OMS (Organização Mundial da Saúde) é garantir a continuidade da vacinação", afirmou.

Ela estranhou ainda o fato de a lei prever um "calendário anual de vacinação". "A vacina de HPV é uma vacina de rotina, que deve ser tomada em três doses num prazo de seis meses. Não é vacina de campanha anual".

Para o infectologista Mauro Romero, coordenador do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis da Universidade Federal Fluminense, o anúncio da vacinação no Rio de Janeiro é uma iniciativa "muito bacana". "Não é uma medida isolada no mundo. Outros países já oferecem a vacina na rede pública. HPV não é responsável apenas pelo câncer de colo de útero, mas também de pênis, laringe, faringe. Não é raro o aparecimento de verrugas de candiloma na língua, na boca. A vacina pode prevenir contra outros tipos de câncer também", afirmou.

Em 2008, parecer do grupo de trabalho do Ministério da Saúde recomendava a não incorporação da vacina em território nacional. Naquele momento, o custo seria de R$ 1,85 bilhão, para vacinar meninas de 11 e 12 anos, enquanto o orçamento do Programa Nacional de Imunização era de R$ 750 milhões ao ano. O grupo de trabalho recomendou o fortalecimento das ações para prevenir o câncer de colo de útero (incentivo à realização de exames preventivos e uso de preservativos) e a criação de condições para produção nacional da vacina, com transferência de tecnologia.

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