Roberto Carlos chega a hospital no Rio para se despedir de sua mãe

Lady Laura morreu aos 96 anos na noite do sábado, 17, enquanto o cantor fazia show em Nova York

Roberta Pennafort e Alessandra Saraiva - O Estado de S.Paulo

18 Abril 2010 | 23h15

Abatido e cercado por seguranças, Roberto Carlos chega ao hospital Copa D'Or. Wilton Junior/AE

 

RIO DE JANEIRO -

O cantor Roberto Carlos chegou na noite deste domingo, 18, no Hospital Copa D'Or, zona sul do Rio, onde está o corpo de sua mãe, Laura Braga. Muito abatido, Roberto estava escoltado por oito seguranças particulares e sete policiais. Ele não deu entrevistas.

 

Roberto Carlos vai passar o aniversário de 69 anos de forma triste a segunda-feira, participando do sepultamento de sua mãe, Laura Moreira Braga, nacionalmente conhecida como Lady Laura, composição sua de 1976. Ela será enterrada às 9 horas no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste do Rio. Roberto recebeu a notícia da morte da mãe no sábado à noite, quase ao fim do show que fazia no Radio Music City Hall, em Nova York, como parte da turnê internacional em comemoração aos seus 50 anos de carreira.

O empresário do cantor Roberto Carlos, Dodi Sirena, disse aos jornalistas que o cantor ainda está muito abalado emocionalmente e não conseguiu dormir desde que recebeu a notícia. "Ele está bastante triste e lamenta não ter conseguido chegar a tempo para dar um último beijo", disse.

De acordo com o empresário, o cantor permanecerá com familiares e amigos velando o corpo da mãe no hospital nesta madrugada. Roberto Carlos deve sair do hospital apenas para ir em casa e trocar de roupas para o enterro, que ocorre na segunda-feira às 9 horas no Cemitério Jardim da Saudade Sulacap. Em seguida, o cantor retorna ao hospital, de onde sairá às 7 horas para acompanhar o corpo da mãe ao cemitério.

Seus irmãos, Lauro, Carlos Roberto e Norma, fizeram questão de esperar a chegada do cantor ao Rio, ontem por volta das 22h40, para definir horário e local do enterro. Roberto estava escoltado por oito seguranças particulares e sete policiais. Muito abatido, não deu entrevistas.

 

Lady Laura tinha completado 96 anos no último dia 10 e estava internada desde 31 de março no Hospital Copa D'Or, com quadro de infecção respiratória. Roberto, seu caçula, já tinha planejado fazer, uma pausa na turnê para passar o aniversário com ela. O cantor foi informado que a mãe havia morrido quando se preparava para voltar ao palco para o bis.

 

Ao receber a notícia, ele se recolheu ao camarim e coube a seu maestro e compadre, Eduardo Lages, informar à plateia, lotada, que Roberto não retornaria porque perdera a mãe.

 

Ivone Kassu, assessora de imprensa de Roberto, disse que o hospital não conseguiu avisá-lo antes (a morte foi atestada às 18h20; por volta das 22h30 a notícia foi veiculada e ele só foi informado por volta das 23h30, pelo horário do Brasil). A notícia foi passada pelo médico particular de Lady Laura, Milton Kazuo Yoshino, ao empresário do cantor, Dody Sirena, que optou por esperar pela última música antes do bis, depois da tradicional distribuição de rosas.

 

Desolado, Roberto quis voar imediatamente para o Rio, mas só conseguiu embarcar ontem de manhã, num voo fretado. Durante a apresentação, ele havia cantado a música em homenagem à mãe (Lady Laura, me leve pra casa/ Lady Laura, me conta uma história/ Lady Laura, me faça dormir), que nem sempre faz parte do repertório de shows, e chegou comentar com o público que ela estava hospitalizada, mas havia melhorado.

 

De fato, no dia 10 o hospital divulgara que a paciente estava lúcida e conversando, o que animou Roberto a manter a turnê. Agora, não se sabe como ficará a série de shows, iniciada na sexta-feira em Nova York, com previsão de se estender até 10 de junho, data de um show em Medellín, na Colômbia (o próximo está agendado para o dia 4 de maio, em Lima, no Peru).

 

Chamada carinhosamente de "rainha mãe" pelas fãs de Roberto e de "Lalá" pela família, Laura Moreira Braga "era uma fortaleza", disse ontem Yoshino, seu médico havia mais de 20 anos. Segundo Yoshino, ela sempre perguntava sobre o filho, com quem mantinha uma relação muito próxima.

 

Conhecida pela bondade e a fé - ia todos os domingos do prédio em que morava, na Urca, num andar abaixo do apartamento do filho, à missa na Igreja Nossa Senhora do Brasil, vizinha ao edifício -, Lady Laura chegou a declarar numa rara entrevista, dada por ocasião do Dia das Mães, que os dois eram "um só". "Acima de tudo, sou sua amiga", disse.

 

Nascida em Minas, ela trabalhou como costureira na juventude. Mudou-se com o marido, relojoeiro, para Cachoeiro do Itapemirim (ES), onde nasceu o garoto que se tornaria o "Rei", o cantor mais conhecido do Brasil. Foi Lady Laura quem levou Roberto para cantar no rádio, quando ele tinha nove anos. Com 13, o carregou para aprender música no conservatório da cidade. Também foi quem lhe transmitiu sua religiosidade.

 

A mãe sempre apoiou sua decisão de seguir carreira artística, mesmo quando o rapaz ainda não fazia sucesso. Gostava de assistir aos seus shows atrás do palco, sem aparecer muito, porque, como o filho, era muito discreta.

 

Solidariedade

 

Durante todo o dia, amigos e parentes de Laura estiveram no Copa D'Or. Erasmo Carlos, parceiro de Roberto, não quis conversar com a imprensa. Estava muito abalado. Já o produtor musical Luís Carlos Miele contou que perdeu a mãe recentemente e que estava no hospital para oferecer consolo a Roberto. "Estou aqui pelo filho e não pelo cantor", afirmou. O apresentador, que dirigiu durante 30 anos os shows de Roberto, contou ainda que lembra de Lady Laura como uma companhia presente nesses eventos. "Ela estava sempre lá, dando sugestões nas músicas", afirmou.

 

À noite, o filho do cantor, Roberto Carlos Braga Segundo, também foi prestar homenagem à avó. "Ela é insubstituível", disse.

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