Rodada foi boa, mas o jogo não acabou

As cartas estão na mesa. Todas as grandes economias do mundo já abriram o jogo sobre quanto estão dispostas a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa até 2020. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que vai levar a Copenhague uma proposta de 17% de corte, abaixo do índice de 2005. E a China, agora, promete reduzir em até 45% o crescimento de suas emissões no setor energético, proporcionalmente ao crescimento do seu PIB.

Herton Escobar, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

A União Europeia já se comprometeu, em lei, a reduzir 20% de suas emissões até 2020, comparado ao que emitia em 1990. O Japão fala em 25%. A Rússia, também. E o Brasil, como economia emergente, propõe restringir o aumento projetado de suas emissões em até 39%.

O que isso significa para o sucesso das negociações de Copenhague? Difícil dizer. O comportamento da política climática internacional anda tão abrupto e imprevisível quanto o futuro climático do planeta - especialmente porque o segundo depende diretamente do primeiro.

Dez dias atrás, tudo parecia perdido. Líderes da Europa, dos EUA e da China diziam que não havia chance de chegar a um acordo sobre metas em Copenhague. Dois dias depois, os mesmos presidentes dos EUA e da China anunciaram que brigariam por um acordo forte em Copenhague, que incluísse metas e tivesse "efeito imediato". Ninguém entendeu muito bem o que eles queriam dizer. Diante da resistência do Congresso americano à ideia de reduzir emissões, a possibilidade de Obama apresentar uma meta em Copenhague era considerada remota.

Agora, tudo mudou. Os EUA apresentaram uma meta, a China apresentou uma meta, e o pessimismo, felizmente, deu lugar ao otimismo. Tomara que não seja um blefe.

As novas propostas certamente aumentam - mas não garantem - as chances de um acordo satisfatório em Copenhague. Resta saber como os outros países vão reagir a elas. A União Europeia sempre disse que aumentaria sua meta de 20% para 30% se os EUA se comprometessem com uma meta "equivalente" e se as economias emergentes, como China, Brasil e Índia, também se comprometessem com ações significativas de controle de emissões.

Será que o esforço anunciado por Obama será suficiente para os europeus? Em relação a 1990, o corte proposto pelos EUA é de míseros 3% a 6%. E não há garantia de que o Congresso americano ratificará qualquer promessa política de Obama. Será que os 45% da China e os 39% do Brasil - assumidos como metas domésticas voluntárias - serão suficientes? A rodada foi boa. Mas o jogo está longe de terminar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.