Rodoviários da BA mantêm paralisação total

Depois de dois dias de paralisação total dos motoristas e cobradores na Bahia, os empresários do setor ameaçam os trabalhadores com demissão por justa causa, pelo desrespeito a uma decisão da Justiça baiana, que determina a circulação de pelo menos 60% da frota de ônibus nos horários de pico - entre as 5 e as 8 horas e das 17 às 20 horas - e de 40% no restante do dia, sob pena de multa diária de R$ 50 mil por dia.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

24 Maio 2012 | 17h17

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário da Bahia (Sinttroba), foi requisitada a presença dos empregados nas garagens das empresas, para cumprir a determinação. A Prefeitura de Salvador chegou a pedir reforço policial nas ruas, para tentar impedir a possível ação de vândalos contra os coletivos que fossem colocados à disposição da população, mas os trabalhadores não compareceram aos postos de trabalho.

A greve dos rodoviários, definida em assembleia dos trabalhadores realizada na tarde de terça-feira, deixa 1,3 milhão sem transporte apenas em Salvador. A paralisação forçou o cancelamento das atividades em todas as instituições privadas de ensino superior na capital. Nas públicas, apesar da programação estar mantida, muitas aulas foram canceladas por falta de alunos - e, em alguns casos, de professores.

A paralisação, somada à chuva que atinge Salvador há uma semana, provoca longos congestionamentos na cidade. Carros particulares, táxis e vans de transporte escolar e de empresas podem ser vistos sendo utilizados como "lotação", pegando pessoas nos pontos de ônibus, sem sofrer repressão dos agentes de trânsito. Mototaxistas também aproveitam a situação para lucrar: corridas pequenas, que custavam R$ 2, já estão sendo cobradas por R$ 10.

De acordo com o Sinttroba, os rodoviários reivindicam reajuste salarial de 13,8%, plano de saúde para trabalhadores e familiares e aumento do valor dos tíquetes de alimentação de R$ 10,60 para R$ 15, e no número de tíquetes, de 26 para 30 no mês. O sindicato patronal apresentou uma proposta de reajuste de 4,88%, tanto para o salário quanto para o vale-alimentação.

Diante do impasse - e dos reflexos da paralisação para a cidade -, uma reunião entre representantes de trabalhadores e empresários, no Tribunal Regional do Trabalho, que estava originalmente marcada para segunda-feira, foi antecipada para amanhã (sexta-feira) à tarde.

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