Rodovias concedidas são melhores que as públicas, diz CNT

O nível de aprovação das condições das rodovias brasileiras concedidas à iniciativa privada é mais de duas vezes e meio superior ao das vias que permanecem sob gestão pública, informou a 15a Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

REUTERS

26 Outubro 2011 | 12h48

Segundo o estudo, enquanto a soma das notas "ótimo" e "bom" do estado geral das rodovias concedidas chega a 86,9 por cento, nas estradas sob administração pública (federal e estadual), essa taxa é de apenas 33,8 por cento.

Além disso, dos 10 trechos de rodovias melhor avaliados pela pesquisa, todos são concedidos à iniciativa privada --e todos passam pelo Estado de São Paulo.

"Aquilo que é deficiência no setor público se converte em eficiência na gestão concedida", disse o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista.

O diretor disse ainda que o mais preocupante é o fato de, segundo ele, ter havido uma piora na qualidade geral das rodovias entre 2010 e 2011, mesmo com o governo tendo investido mais.

"O governo não está investindo de forma correta, de modo a gerar mudança de qualidade", disse Batista, acrescentando que os casos de obras superfaturadas pioram esse quadro, já que geram paralisação de trabalhos. "Isso gera custos", disse.

Segundo a CNT, no ano passado o governo federal investiu 9,8 bilhões de reais em rodovias federais. Mas, pelos cálculos da entidade, para deixar todas as rodovias em boas condições, o montante necessário chega a 200 bilhões de reais.

De 2010 para 2011, o número de pontos críticos nas vias -- como quedas de barreiras ou pontes caídas-- aumentou de 109 para 219.

A pesquisa da CNT avaliou, entre 27 de junho e 4 de agosto, um total de 92.747 quilômetros de rodovias pavimentadas, federais, estaduais ou concedidas, o que representa cerca de 42 por cento do total da malha pavimentada do país.

Segundo a CNT, dentro a extensão analisada, 26,9 por cento estava em condição crítica e 57,4 por cento apresentavam algum tipo de deficiência, em áreas como pavimentação, sinalização ou geometria da via.

Para Batista, a solução para recuperar as estradas passa pela regulamentação do mecanismo das Parcerias Público-Privadas (PPPs), para atrair mais investimentos privados ao setor.

(Por Leonardo Goy)

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