Ivan Dias/AE
Ivan Dias/AE

Romance novinho em folha

Aumenta o número de mulheres que se relacionam com homens mais jovens. Quem experimentou, adverte: é bom, mas ter afinidades é imprescindível

Cristiana Vieira,

16 de janeiro de 2011 | 09h00

O jeito espontâneo de quem gosta de liberdade, a independência e o despojamento são algumas das qualidades pelas quais os jovens namorados de Margot De Cobervill, de 50 anos, dona do bar do Satyros 1, se sentem atraídos. "Sou livre, procuro alguém igual". Armada por sua sensualidade e bom papo, Margot tem atraído namoradinhos mais novos do que ela, embora sempre tenha se envolvido com os mais velhos. Até conhecer um chileno que ficou gamado por ela. Se curtiram e ele foi promovido a "namorido". Logo Margot sacou o lado possessivo do rapaz.

 

"Vi que tinha entrado numa fria e decidi passar um tempo com meu irmão que mora no Recife", conta. Em solo pernambucano, conheceu e casou com um alemão cuja diferença de idade era de um ano. A relação durou quatro anos. De volta a São Paulo, teve um namorico aqui, outro ali. "Queria mesmo era galinhar. Estava muito mal com o término do casamento."

 

Não demorou muito e ela se enroscou com um rapaz 15 anos mais jovem, que depois de dois anos estava alucinado por ela. A gota d’água foi em seu aniversário. Reunida com a família, seu telefone não parava de tocar. Para fugir do barulho, ela atendeu a uma das ligações no quarto. Em seguida ouviu um barulho estranho, foi olhar pela janela e lá estava seu namorado estatelado no chão. Ele tinha tentado entrar no quarto pela janela do sobrado para ouvir com quem ela falava. Ela avisou: "Agora, meu bem, você vai dormir aí com as formigas". Depois desse episódio, a relação degringolou. Para Margot, ficou a lição de que quando os problemas começam a aparecer, é melhor partir para outra.

 

Mas não parou por aí. Conheceu um moço 18 anos mais jovem. "Na cama, a possibilidade de um garoto brochar é menor", brinca. E diz com propriedade, pois teve experiências com homens mais velhos que já apresentavam problemas cardíacos ou eram obesos. "Na hora H, ficam tensos." Ao mesmo tempo, admite que já se decepcionou com um jovem chef de cozinha, de 30 anos, que, segundo suas palavras, era bem devagar. Hoje, namora um estudante da Faculdade de Direito da USP, que também tem uma banda de rock.

 

Durante esses namoros, não escapou das gafes alheias. Certa vez, ao buscar seu carro novo em uma concessionária, ouviu o vendedor comentar com o namorado que "sua mãe" tinha muito bom gosto. "Ele logo respondeu que eu era sua amada, sua amante, seu amor!"

 

Apesar do histórico, Margot garante que o problema nem é a idade: é preciso ter química! Porque se o sexo for bom, mas o cara não tiver uma compatibilidade intelectual e financeira, o encanto acaba. "Quando estou na febre, uso minhas artimanhas de fêmea para conquistar", confessa.

 

Tabu. Celebridades como Maitê Proença, Suzana Vieira, Solange Couto (que tem 54 anos, casada com um rapaz de 24, de quem acaba de engravidar), Madonna e Demi Moore ajudam a derrubar o tabu de que "é ridículo mulher ter namorado mais jovem". Há até uma recente pesquisa do IBGE atestando que, em 2009, 23% dos casamentos foram de mulheres com homens mais jovens - ante 19,13% computados 10 anos antes.

 

Já a veterana gaúcha, que atende por Gertrudes, passou por dois casamentos. No primeiro, teve uma filha. O segundo foi a experiência com um homem 13 anos mais moço. Depois, não quis mais viver junto, só paquerar. Hoje, tem 73 anos e namora um bonitão, segundo ela, de 34. Garante que não tem mais aquele amor de adolescente, o que chama de "burrice de ficar apaixonada".

 

O namorado alugava uma de suas propriedades quando começou a paquerá-la. Ao deixar a casa, passou a telefonar, até tomar coragem de dizer que estava apaixonado. Dizia que a vida dele era um inferno com mulheres jovens e não a via como velha. Admira-se por ele não sentir vergonha de andar de mãos dadas nem de se beijarem em público. "Às vezes, o olho e penso que sou maluca."

 

Antes do bonitão, Gertrudes teve outra experiência, mas não deu certo. "Por ele, as coisas seriam diferentes, mas eu terminei porque sei que, com o passar dos anos, o resultado não seria bom." Com o fim do namoro, o ex foi viver em Aracaju (SE). E ainda telefona para dizer que sente saudade. Ela atribui essa atração dos jovens ao fato de estar sempre bem vestida, perfumada e ser carinhosa.

Decepção. A experiência da administradora A.M.S., de 43 anos, não foi das melhores. Ela tinha saído de um casamento de nove anos e já não sabia se ainda era uma mulher atraente. "Comecei a sair e percebi que não estava ‘morta’", brinca. Bastaram alguns meses e foi fisgada por um moço 10 anos mais novo - na época, ela tinha 35.

 

"Mas eles são muito apressados, afoitos. Não têm perspectivas de vida nem se preocupam com o futuro." A turma dele só pensava em viagem, futebol. Além disso, ele tinha um filho de uma relação anterior, a quem não dava muita atenção - o que a incomodava. Para piorar, queria casar e ter filhos. "Mas eu não gostava dele", diz.

 

Para A., as mulheres têm a ilusão de que namorar um homem mais novo é um sonho de consumo. "Gosto mesmo é de homem inteligente. Nem precisa ser bonito. Tem de ser gostoso e ter cara de homem. Além da performance." Não é à toa que voltou para o ex-marido. E diz que a melhor coisa que fez foi se separar e voltar. Como disse a sábia Gertrudes, "a comida é muito boa e muito gostosa enquanto a gente está com fome".

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