Romênia resgata crianças e onda de frio se agrava na Europa

Nove crianças romenas foram levadas para uma creche depois que um bebê morreu numa casa sem calefação, juntando-se a pelo menos 189 outras mortes no Leste Europeu por causa de uma frente fria vinda da Sibéria, que se intensificou nesta sexta-feira e avançou mais a oeste.

IOANA PATRAN, REUTERS

03 de fevereiro de 2012 | 19h16

A temperatura despencou para 37 graus Celsius negativos no norte da Eslováquia, e equipes de resgate escavam a neve em estradas montanhosas para salvar passageiros que ficaram ilhados dentro de ônibus nos Bálcãs.

Na Romênia, 80 por cento do rio Danúbio congelou, impedindo a navegação rumo ao mar Negro, mas a maior preocupação é mesmo com as crianças do país, o segundo mais pobre da União Europeia.

Autoridades da localidade de Iasi levaram três meninas para uma creche depois que um bebê de 4 meses morreu numa casa onde a temperatura caíra a 20 graus Celsius negativos.

"Essas crianças já estavam sofrendo de desnutrição. Quando o frio chegou, a situação delas foi de mal a pior, até o grau catastrófico", disse um porta-voz local à Reuters.

Essa fonte estimou que até 15 mil crianças podem estar sob risco em Iasi, e que outras seis foram levadas para a creche.

O país mais afetado pelo frio é a Ucrânia, onde 101 pessoas morreram, sendo 38 nas últimas 24 horas. Os supermercados relatam desabastecimento, pois caminhões com produtos ficam retidos na neve e não conseguem realizar entregas.

A Romênia já registrou 24 mortos desde o início da onda de frio, e a Bulgária teve 11.

Desde quinta-feira houve também oito mortos a mais na Polônia, e a Bósnia registrou seis vítimas, incluindo quatro pessoas que dormiam ao relento em Sarajevo, a capital.

A Sérvia, que já teve seis mortes, declarou estado de emergência em 19 municípios. A Albânia registrou sua primeira morte, de um homem de 63 anos.

Em Praga, na República Tcheca, as autoridades disseram que um homem aparentemente usou o frio para se suicidar. "Ele bebeu uma garrafa de álcool, tirou a roupa e se sentou num parque", disse um porta-voz do serviço de emergências.

Na França, um idoso de 82 anos se tornou a primeira vítima da onda de frio. Ele sofreu uma hipotermia -diminuição da temperatura normal do corpo- ao sair de casa apenas de pijama, em Lyon, com uma temperatura de 14 graus Celsius negativos.

Na vizinha Itália, a nevasca, a mais intensa em Roma desde a década de 1980, levou ao fechamento de atrações turísticas como o Coliseu e o Fórum Romano.

O serviço meteorológico alemão DWD disse que a onda de frio deve continuar pelos próximos quatro dias no centro e leste do continente, mas que as temperaturas já devem subir acima de zero grau na maior parte da França e Grã-Bretanha.

A União Europeia informou que o fornecimento de gás russo para alguns países do Leste Europeu, Itália, Grécia e Áustria diminuiu ainda mais, mas que a situação não é de emergência. Todos os países da UE receberam gás adicional de outras fontes.

(Reportagem adicional de Aleksandar Vasovic, em Belgrado; de Maja Zuvela, em Sarajevo; de Benet Koleka, em Tirana; de Nicholas Vinocur, em Paris; de Gilbert Reilhac, em Estrasburgo; de Jan Korselt, em Praga; de Martin Santa, em Bratislava; de Aleks Tapinsh, em Riga; de Gabriela Baczynska, em Varsóvia; e de Stephanie Nebehay, em Genebra)

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