Romney não oferece remédio claro para a economia

O favorito para ser o candidato republicano à presidência dos EUA, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, promete cortar gastos, reduzir o tamanho do governo, impor penalidades comerciais à China, nomear um novo presidente do Federal Reserve e promover uma abrangente desregulamentação.

STELLA DAWSON, REUTERS

12 de janeiro de 2012 | 11h06

A ousada estratégia econômica do pré-candidato parece destinada a conquistar o apoio de conservadores radicais do Partido Republicano, deslumbrados com as ideias de retomada do padrão-ouro defendidas pelo deputado libertário Ron Paul, e com os cortes orçamentários pregados pelo movimento populista Tea Party.

Romney precisará do apoio desse eleitorado para vencer a disputa partidária e enfrentar o presidente Barack Obama na eleição geral de 6 de novembro. O ex-governador venceu as disputas nos dois primeiros Estados (Iowa e New Hampshire) e é favorito no dia 21 na conservadora Carolina do Sul.

Mas economistas e estrategistas políticos duvidam de que seu plano econômico continuará sendo tão radical no decorrer da campanha. Essas propostas parecem incompatíveis com o passado moderado de Romney, e podem desagradar o eleitorado independente, que será crucial para que o republicano vença Obama. Além disso, cortes orçamentários rápidos e acentuados podem impedir a recuperação da economia, que atualmente tem um crescimento em torno de 2 por cento ao ano.

"Acho que ele é bastante pragmático", disse Greg Valliere, economista político do Potomac Research Group.

Nesta fase de disputa partidária interna, Romney quer criar a imagem de um político determinado a reduzir os poderes de Washington, em contraposição a um presidente que preza um governo grande.

"Ele tem margem para voltar ao centro até novembro, e então as críticas de que ele é um moderado se tornarão uma vantagem para ele", disse Valliere.

Thomas Gallagher, ex-economista de Wall Street e diretor da consultoria empresarial Scowcroft Group, concorda. "Não acho que a plataforma econômica dele prediga muito sobre o que ele iria fazer em 2013", afirmou.

Romney colocou em seu site um esboço pobre em detalhes, o que lhe permite abraçar causas caras aos militantes direitistas do Tea Party, como uma emenda que institua o equilíbrio orçamentário, mas preservando as condições para alterar os rumos posteriormente, disse Gallagher.

Mas, por serem tão vagas, as propostas também criam vulnerabilidades.

"Ele está tentando jogar em ambos os lados da cerca, o que preocupa muitos conservadores. Isso pode cair bem na eleição, mas as pessoas querem alguma autenticidade no que seus líderes estão lhe dizendo", disse James Campbell, cientista político da Universidade Estadual de Nova York, em Buffalo.

E, se Romney não conseguir convencer a direita de que seu plano é suficientemente anti-impostos e antigoverno, isso poderá inspirar uma candidatura independente, que seria capaz de dividir o eleitorado republicano e reduzir suas chances de vitória.

"O outro dilema de Romney é que, se ele for muito intransigente sobre não elevar impostos, reduzirá sua margem de manobra para lidar com o déficit orçamentário", disse Joel Aberbach, professor de Ciência Política da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Por isso, os economistas preveem uma mudança nas posições de Romney, e ainda não calcularam o possível impacto das suas propostas macroeconômicas sobre o crescimento. Mas as linhas gerais dão a clara sensação de um republicano que defende um papel menor para o governo.

Romney promete reduzir o imposto corporativo de 30 para 25 por cento, prorrogar as isenções tributárias para pessoas físicas adotado na era Bush, abolir o imposto sobre espólios e reduzir as alíquotas que incidem sobre lucros financeiros da classe média.

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