Romney pede desculpa por ter feito 'bullying' no colégio

Pré-candidato republicano definiu incidente contra colega como 'travessuras colegiais'

Reuters,

10 Maio 2012 | 20h17

O pré-candidato republicano a presidente dos EUA Mitt Romney pediu desculpas na quinta-feira por incidentes que ele descreveu como travessuras colegiais que podem ter magoado alguém, após a revelação de que ele e outros alunos de um colégio de Michigan praticaram "bullying" contra um colega supostamente gay.

"Fiz algumas coisas tolas, e se alguém ficou magoado ou ofendido (...) obviamente eu peço desculpas", disse Romney em resposta a reportagem do jornal The Washington Post que detalhou o incidente de 1965, no qual Romney teria derrubado o colega e cortado seu cabelo.

O incidente veio à tona um dia depois de o presidente Barack Obama, candidato à reeleição, declarar apoio ao casamento homossexual, contrapondo-se à posição de Romney e do Partido Republicano como um todo.

Mas a reportagem do Post obrigou Romney a reagir à impressão de foi um jovem valentão e intolerante. "Participei de muitas maluquices e travessuras durante o colégio, e algumas podem ter ido longe demais", admitiu ele.

A reportagem do Post também motiva questionamentos sobre até que ponto é justo explorar politicamente atitudes tomadas por um candidato a presidente quase meio século atrás.

Obama fez dos direitos dos homossexuais um dos focos da atual campanha presidencial, e o problema do "bullying" nas escolas está cada vez mais na pauta por causa de incidentes como o ocorrido em 2010 na Universidade Rutgers, em Nova Jersey, onde um aluno gay cometeu suicídio depois de ser espionado por um colega de alojamento.

Brad Woodhouse, porta-voz do Comitê Nacional Democrata, divulgou pelo Twitter um link para a reportagem do Post, e comentou: "Uma das maiores conversas que estamos tendo neste país é sobre o ‘bullying' às crianças na escola. Romney fazia ‘bullying' aos 18 anos".

O Post entrevistou vários ex-colegas de Romney que contaram que ele armou o ataque ao aluno John Lauber, que usava cabelo oxigenado e era visto como gay pelos colegas.

"Enquanto Lauber, com os olhos cheios de lágrimas, gritava por socorro, Romney repetidamente picotava o cabelo dele com uma tesoura", relatou Romney.

O pré-candidato imediatamente foi ao programa do radialista conservador Brian Kilmeade para dar sua versão dos fatos. "A gente diz para si mesmo que, lá no colégio, eu fiz algumas coisas estúpidas (...). Mas no geral os anos do colégio foram há muito tempo, e estou feliz por ter alguns bons amigos daquela época", afirmou.

Sobre o incidente com Lauber - que depois se assumiu homossexual e morreu de câncer do fígado em 2004 -, Romney disse: "Não me lembro desse incidente, e vou lhe dizer que certamente não acredito que eu - não posso falar pelos outros, é claro - achasse que o camarada era homossexual. Isso era o que havia de mais distante na minha cabeça na década de 1960, então não era o caso."

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