Romney pressionaria China na questão cambial, diz assessor

O pré-candidato presidencial norte-americano Mitt Romney busca formas de pressionar a China a respeito de supostas manipulações cambiais e subsídios comerciais injustos, disse um assessor da campanha dele nesta terça-feira.

DOUG PALMER, REUTERS

27 Março 2012 | 18h23

"Acho que ele quer maximizar a pressão", disse Grand Aldonas, ex-subsecretário de Comércio Internacional dos EUA, durante simpósio sobre o futuro da indústria no país.

Romney, favorito para receber a indicação do Partido Republicano à Casa Branca, já prometeu que apontaria formalmente uma manipulação cambial por parte de Pequim, algo que o governo do democrata Barack Obama, candidato à reeleição, evitou fazer em seis oportunidades.

Pelo plano de Romney, uma vez formalizado esse status, os EUA poderiam impor retaliações tarifárias aos produtos chineses, para contrabalançar o efeito de um suposto subsídio cambial.

No ano passado, a Câmara dos Deputados dos EUA, controlada pelos republicanos, barrou uma medida semelhante, por temer o início de uma guerra cambial. O governo Obama não fez questão de pressionar pela aprovação.

Semestralmente, o Departamento do Tesouro anuncia se algum país está manipulando sua moeda para obter vantagens comerciais indevidas -o próximo prazo para isso é em 15 de abril. Desde 1994 nenhum país é citado, e a China foi o último.

Aldonas disse que Romney tem a séria intenção de pressionar a China a permitir a valorização do iuan, mas acrescentou que qualquer legislação cambial precisa tratar também de subsídios mais amplos que estimulam as empresas chinesas a construírem uma capacidade produtiva exagerada, "que vaza para o nosso mercado".

Em discurso no mesmo evento, Gene Sperling, assessor econômico especial da Casa Branca, não tratou diretamente da política cambial chinesa, mas disse que "não há dúvidas" de que milhões de empregos industriais foram perdidos nos EUA nas últimas décadas devido às importações de produtos chineses.

Sperling disse que o governo Obama recorreu à Organização Mundial de Comércio contra a China com o dobro da frequência do seu antecessor, o republicano George W. Bush, e também que pela primeira vez usou um regulamento comercial, o chamado Artigo 421, para barrar a importação de pneus chineses.

Depois do discurso, Sperling disse que não comentaria o pedido feito por 188 parlamentares -a maioria democratas- para que o governo restrinja a importação de autopeças da China.

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