Rosa que te quero verde

Os rosés têm uma vida curiosa no gosto do público. Ninguém parece amá-los muito, nem eu. Quando chega o calor, sempre há dezenas de artigos recomendando suas delícias geladas, na praia ou junto da piscina, com títulos atraentes como "la vie en rose" ou "think pink".

Luiz Horta,

13 Janeiro 2011 | 09h33

Já fiz isso diversas vezes, achando importante que as pessoas prestassem atenção nesses vinhos. Mas, pensando bem, para quê? Posso indicar dez brancos melhores para cada rosé da mesma faixa de preço. Mais frescos, mais gostosos, mais complexos. Os piores são os ambíguos, que não se decidem entre serem brancos de alma tinta ou o contrário.

Admito, há alguns grandes rosés que só funcionam como tal, rosados históricos, com sua dose de taninos discreta e sua evolução peculiar. Mas justamente esses não são para a praia nem são ligeiros: são grandes vinhos, como Tondonia Rosado, Musar rosé e alguns provençais mais longevos e funky, como os Bandols.

Antes que o artigo vire um libelo antirrosado, aí vai a defesa dos rosinhas, que faz o especialista inglês Michael Broadbent: "No mínimo eles ampliam bem nossa paleta de cores nos vinhos e tornam as mesas mais coloridas, indo do rosa pálido ao salmão intenso". Ok, ponto estético.

Já que existem, estão no mundo, como a pipoca doce, a música de elevador e a fast food, não dá para fingir que não os vemos e seguir adiante. Então, é melhor prová-los com objetividade. Porém, prefiro um verde português bem gelado, ou uma sidra como as que estão descritas abaixo, ou mesmo um branco singelo na praia (se eu fosse à praia...).

 

Quanto custa bebê-los

Francioni (Kylix Vinhos, tel. 3825-4422) - R$ 49,70

Pericó (Le Tire-Bouchon, tel. 3822-0515) - R$ 39

Suzin (Casa do Vinho, tel. 49/3233-0824) - R$ 39

Núbio (Casa do Vinho, tel. 49/3233-0824) - R$ 26,50

 

Rosé

Villa Francioni

Nariz atraente, com algo de caramelo, boa boca, acidez importante, bom corpo, ligeiro amargor final que não atrapalha, agradável

Taipa 2009

Vinícola Pericó

Nariz com balsâmico, corpo médio e toque de pimentões verdes na boca. Curioso, feito com competência

Suzin 2008

Vinícola Suzin

Aroma de ameixas curtidas, acidez um pouco deslocada e leve amargor final

Núbio 2007

Sanjo Cooperativa

Nariz bem fechado, os 14% de álcool não incomodam, curto na boca, toque amargo

 

VIAGEM ENGARRAFADA

Parada 29/100

Região de São Joaquim, Santa Catarina

Diversas uvas tintas

Uma coleção de vinhos rosados

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