Rotina na plataforma é atalho para falhas humanas e acidentes

Cenário

John Crace, The Guardian, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

O vazamento de petróleo da semana passada matou 11 pessoas. No momento do acidente, os operários da plataforma cimentavam a boca de carga, o componente usado para controlar o fluxo da pressão do leito do oceano até a superfície - operação que frequentemente coincidia com explosões, no passado.

É aqui que está a questão. As companhias petrolíferas gostariam de que todos nós acreditássemos que a perfuração é uma forma neutra totalmente segura, não agressiva para o ambiente, de explorar os recursos naturais do mundo. Podem-se adotar todas as normas de saúde e de segurança imagináveis, mas nada disso impede o erro humano. E um trabalho duro, de 12 horas diárias, por no mínimo duas semanas seguidas, frequentemente sob condições meteorológicas atrozes, implica que os erros ocorrem. Levantamento mostra que, desde 2001, houve 69 mortos, 1.349 feridos, 858 incêndios e explosões nas plataformas de alto-mar, somente no Golfo do México. Em quase todos os casos, a culpa foi atribuída à falta de comunicação e a desobediências dos procedimentos corretos, e não a falhas dos equipamentos.

Numa plataforma, tudo está voltado para uma única coisa: extrair o máximo de petróleo e gás humanamente possível. A plataforma opera 24 horas por dia sete dias por semana, e cada um é apenas uma engrenagem para manter o fluxo do ouro negro. É um jogo que, como todos sabem, só pode acabar em desespero - quando o petróleo por fim acaba, ou em desastres, como o da semana passada. Pode apostar: logo mais haverá outro acidente como o de Deepwater Horizon.

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