Rótulos para deixar a corte orgulhosa

A especialista portuguesa Maria João de Almeida fala dos vinhos dos tempos de d. João e faz uma seleção histórica de tintos e Porto

Maria João de Almeida, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2008 | 03h44

O embarque do então príncipe regente d. João VI, de Lisboa para o Brasil, como se sabe, foi às pressas. As tropas francesas de Napoleão Bonaparte avançavam pelo interior de Portugal, rumo a Lisboa. De tal forma que acabaram os viajantes por deixar muitas malas e mercadorias para trás. E os vinhos reais, teriam sido salvos do esquecimento no cais? Tudo indica que sim. Mas é importante lembrar que, 200 anos atrás, o vinho do Porto era o mais procurado para essas viagens, já que o tinto, à falta de práticas e produtos enológicos adequados, acabava por se estragar facilmente (o Porto agüentava mais devido à adição de aguardente usada para parar a fermentação alcoólica). Quase todo o vinho que saía das fronteiras portuguesas era vendido a granel, salvo raras exceções. Como é o caso dos vinhos de José Maria da Fonseca que, apesar de o vender em pipas, também se preocupava com a apresentação dos produtos, engarrafando alguns dos seus vinhos, como o Periquita, criado em 1850. Trinta anos mais tarde, Adriano Ramos Pinto, o homem que deu nome à famosa marca de vinho do Porto que os brasileiros conhecem e carinhosamente chamam de Adrianinho, também começou a fornecer vinho engarrafado para terras de Vera Cruz, na época, seu principal mercado. Apesar de tudo, o granel continuou a reinar até meados do século 20, altura em que a garrafa começou a ser utilizada com maior freqüência. Barca Velha, Cartuxa, Pêra Manca e Mouchão foram algumas das marcas que surgiram ao longo dos anos e fizeram história. Hoje, serão ainda uma referência, embora a recente revolução vitivinícola lusa tenha feito surgir muitas mais, dignas de semelhante destaque qualitativo. Abaixo, uma seleção de grandes rótulos portugueses, alguns antigos, outros modernos, que certamente teríamos orgulho em oferecer à corte. Se os provasse, tenho a certeza de que o rei ficaria impressionado...

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