Roubo de dados da Petrobras foi espionagem, diz PF

A espionagem industrial éa única linha de investigação da Polícia Federal para apurar oroubo de informações sigilosas da Petrobras, ocorrido emjaneiro e divulgado na semana passada, afirmou osuperintendente da PF no Rio de Janeiro, Valdinho JacintoCaetano. Segundo inquérito aberto na quinta-feira depois doCarnaval, quase uma semana após o comunicado do furto, os dadoscontinham informações de uma sonda que trabalhava na bacia deSantos. Foram furtados quatro notebooks e dois HDs da estatalcom dados sigilosos sobre a exploração de petróleo no local. A Petrobras anunciou no ano passado a existência de umcampo gigante de petróleo e gás natural na bacia de Santos, nachamada área pré-sal. "Havia no contêiner material de escritório e laptops, nãolevaram todo o material, o que nos leva a descartar que foi umroubo comum. Quem procura HD não está praticando um roubocomum, havia um interesse específico de um determinadoassunto", disse ele a jornalistas em entrevista coletiva nestaterça-feira. MAIS CASOS Caetano confirmou que este não foi o primeiro casoenvolvendo furtos de dados da Petrobras, conforme informou àReuters o diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras(Aepet) Fernando Siqueira na última sexta-feira. "A Petrobras disse que tinha casos semelhantes a esse. Háum ano, um ano e meio, ela comunicou à Polícia Civil, mas osdados furtados não tinham informações importantes", disseCaetano. A PF ainda não sabe precisar o local exato do furto dasinformações, mas desaprovou o sistema de segurança da estatal. "Não há como negar, o sistema de segurança para essematerial é bastante falho, muita gente tinha acesso a essematerial. A segurança é adequada para escritório, masinadequada para informações importantes, houve falha nasegurança", afirmou. Ele disse que um inquérito vai determinar se a falha foi daPetrobras ou das empresas envolvidas, a norte-americanaHalliburton e a transportadora Transmagno. Ele confirmou aindaque uma mesma chave era usada para abrir o cadeado de várioscontêineres, o que torna o sistema ainda mais inseguro. DEPOIMENTOS A Polícia Federal já ouviu nove pessoas até agoraenvolvidas diretamente na segurança e no transporte domaterial. Outras 15 pessoas ainda devem ser interrogadas,informou Caetano. O delegado afirmou que os inquéritos têm prazo legal de 30dias para serem concluídos, podendo ser prorrogados por mais ummês. "Mas nesse caso de importância não tem prazo paraconcluir", garantiu. Ele disse que um delegado da Polícia Federal de Brasíliafoi designado para auxiliar nas investigações, mas não soubeinformar o nome. Em Macaé, onde foi aberto o inquérito sobre o roubo, aPolícia Federal está ouvindo depoimentos, nesta terça-feira, deum funcionário da empresa norte-americana Halliburton,prestadora de serviços da Petrobras, e de dois trabalhadores dacompanhia de transportes Transmagno, encarregada de levar ocontêiner até Macaé. A advogada da Transmagno, Valéria Manhães, afirmou que aempresa fará um rastreamento nos seus caminhões paraidentificar o trajeto percorrido e os horários nos quais oveículo trafegou no percurso entre o Rio de Janeiro e Macaé. Segundo ela, o trajeto, que normalmente é feito em cerca detrês horas, demorou mais do que isso devido a chuvas e a umpernoite do dia 29 para o dia 30 de janeiro. O motorista da empresa e outro funcionário não-identificadodepuseram nesta terça-feira na sede da Polícia Federal emMacaé. (Edição de Denise Luna)

RODRIGO VIGA GAIER E MAURÍCIO SAVARESE, REUTERS

19 Fevereiro 2008 | 13h54

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