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Ruas adotam novo grito de guerra: 'Sem partidos'

As manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas do País tinham reivindicações sociais diversas (saúde, educação, transporte), aliadas a críticas contra a corrupção e um novo grito de guerra praticamente comum: "sem partido". Militantes de legendas que levavam bandeiras à concentração na Candelária, para a passeata do centro do Rio, por exemplo, foram recebidos com vaias e palavras de ordem.

BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA E ÂNGELA LACERDA, Agência Estado

21 de junho de 2013 | 08h18

"O povo, unido, não precisa de partido", gritaram os manifestantes apartidários para um grupo que levava bandeiras do PSTU, PCB e PC do B e descia a Rua Uruguaiana na direção à Avenida Presidente Vargas. "Sem partido", repetiam os manifestantes contrários à partidarização. "Sem fascismo", respondiam os militantes partidários.

Bandeiras abaixo

O secretário nacional da Juventude do PT, Jeferson Lima, de 26 anos, reagiu às vaias dos manifestantes na Avenida Paulista, afirmando que o discurso apartidário é uma estratégia de ultraconservadores para desgastar a sigla. Lima afirmou que a pressão da agremiação ajudou a reduzir a tarifa. "Não seria esse discurso antipartidário que convenceria o (prefeito Fernando) Haddad (PT)", disse. Mesmo assim, militantes do partido tiveram de formar uma corrente-humana ao redor das bandeiras da legenda.

O PSTU e a Juventude do PT , além da Central Sindical Conlutas, foram rechaçados pela multidão que começou a caminhar pelas ruas centrais do Recife às 15h45 e tiveram de baixar as bandeiras. Alguns manifestantes do PSTU chegaram a gritar que "censura é ditadura". Houve um início de confronto e os partidos saíram de cena.

Situação semelhante foi vista em Belo Horizonte, na Avenida Afonso Pena, onde quem coordenava a multidão pedia que as bandeiras políticas fossem abaixadas. E ouvia de volta: "Bandeira na mão, liberdade de expressão." Mais uma vez, os apartidários venceram a discussão.

Em Florianópolis, a divisão foi literal. Após discussão, as bandeiras políticas seguiram para a Prefeitura e os demais, para a Assembleia. Em diversas cidades, como Goiânia, o único estandarte onipresente era a Bandeira Nacional - e se ouviam o Hino Nacional e o "Vem para a Rua" de uma campanha publicitária.

Mas não faltaram críticas à presença do PT de criar uma onda vermelha, até de outros partidos. "É tentativa tardia de participar de um processo do qual não se legitimaram. Aqui é um movimento de oposição aos partidos que estão no poder", disse Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL. Mas os próprios militantes do partido eram hostilizados e entraram em discussões com integrantes do Movimento Passe Livre, que reiteraram: "Aqui é sem partido!".

Políticos abaixo

O sentimento "antipolítica" não se restringia aos políticos, mas mirava líderes do Executivo e do Legislativo em todo o País. Em Brasília, muitos cartazes falavam em "buscar a Dilma" e destacavam: "Nós somos o Primeiro Poder." No Rio, o cartaz levado por uma jovem de 18 anos, que pediu para não ser identificada, também resumia esse sentimento. "Sou neta de político e ele não me representa", dizia a mensagem, escrita com tinta verde e amarela. "Não apoio as ações dele. Está na cara para todo mundo, até para a gente que é da família." (Colaboraram , Luciana Nunes Leal e Heloisa Aruth Sturm)

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