Ruralistas argentinos mantêm protesto contra governo

Manifestação e suspensão de exportações de grãos serão mantidas até quarta-feira.

Marcia Carmo, BBC

15 de maio de 2008 | 23h15

Os produtores rurais da Argentina anunciaram, nesta quinta-feira, que vão manter, pelo menos até a próxima quarta-feira, o protesto contra o governo. Até lá, continuarão suspensas todas as exportações de grãos - iniciativa que eles adotaram há uma semana, na quinta-feira, dia 8. Os ruralistas querem a anulação do último aumento de impostos às exportações - principalmente de soja - anunciado pelo governo em março passado. "Nós queremos medidas concretas, como o cancelamento deste ajuste que só prejudica o setor agrário", disse Eduardo Buzzi, da Federação Agrária Argentina, durante entrevista nesta quinta-feira ao lado de outros líderes agropecuários. Inicialmente, quando foi anunciado na semana passada, o protesto terminaria nesta quinta-feira. Esse é mais um capítulo de uma disputa que começou há dois meses e levou pequenos, médios e grandes produtores a uma paralisação que durou 21 dias. Na ocasião, o bloqueio de estradas em diferentes pontos do país provocou desabastecimento nos supermercados e panelaços nas grandes cidades em apoio aos ruralistas. Na semana passada, após uma trégua de trinta dias, eles decidiram protestar novamente, mas sem bloquear o tráfego. Panelaços e tratoraçosA nova modalidade de manifestação inclui ainda tratoraços nas regiões de produção agropecuária. No último domingo, eleitores dos bairros de classe alta de Buenos Aires, como Recoleta, e média, como Palermo, realizaram novo panelaço em apoio aos ruralistas. Na quarta-feira, a presidente Cristina Kirchner fez um discurso, que foi classificado pela imprensa argentina, de conter um "tom conciliador", ao sugerir um diálogo, mesmo sem ela ter citado, diretamente, o protesto dos ruralistas. Nesta quinta-feira, além de anunciar a continuidade do protesto, os líderes ruralistas pediram "encontro urgente" com a presidente. Os ruralistas pedem uma "nova política agropecuária" que assim como o fim do novo imposto às exportações inclua também a retomada, sem restrições, das vendas externas de grãos - inclusive o trigo, o que interessa ao mercado brasileiro - e de carne da Argentina.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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