Rússia começará a vender cotas de CO2 em 2008

País pretende vender direitos de emissão de gases do efeito estufa para a Europa

Agencia Estado

20 de junho de 2007 | 18h52

A Rússia pretende começar a comercializar suas cotas de emissão de gases do efeito estufa em 2008, quando tiver atingido os requisitos necessários para implementar os mecanismos determinados pelo Protocolo de Kyoto, disse na sexta-feira, 15, Anderi Sharonov, vice-ministro da Economia. O mecanismo, chamado Implementação Conjunta, permite aos países industrializados comprar direitos para emitir gases causadores do efeito estufa, para permanecer dentro das metas de emissão até 2012. Quem vende são os países que emitem abaixi da meta. Assim, as nações que querem comprar direitos incentivam projetos em outros países para reduzir as emissões. As financiadoras podem contar os cortes como se fossem seus. "Acho que teremos o status de cumprir os requerimentos do protocolo no início de 2008", disse Sharonov a investidores e banqueiros estrangeiros. Segundo ele, uma missão de monitoramento de Kyoto vai à Rússia em julho. Sharonov disse que a Rússia pretende vender cotas para 300 milhões de toneladas de CO2 e equivalentes para países da União Européia. O vice-ministro estimou que a demanda da União Européia seja de entre 250 milhões e 350 milhões de toneladas, e a Rússia deve ter cotas a mais para 3 bilhões de toneladas, mesmo com um forte crescimento econômico. Entre os projetos na Rússia que podem se mostrar lucrativos para investidores estão a queima de metano e o conserto de gasodutos com vazamento. A Rússia pode ganhar bilhões de dólares com o protocolo, que pretende estabilizar as emissões de gases-estufa no mundo todo. Segundo Sharonov, o custo de reduzir as emissões na Rússia é de US$ 5 a US$ 10 por tonelada, e no resto da União Européia, de US$ 50 a US$ 100. "Nosso equipamento é muito antigo e não custa muito caro dar uma primeira melhorada, por exemplo, tampando um cano furado", disse Sharonov. "Empresas estrangeiras podem vir aqui, aumentar a economia de energia, guardar cotas e vendê-las no caro mercado ocidental", afirmou. A Rússia, porém, vem sendo criticada por não tomar providências para a implementação do mecanismo, e por enquanto os investidores estão céticos. O vice-ministro afirmou que a Rússia já criou um sistema nacional para registrar as emissões de gases-estufa. As emissões desse tipo de gás pela Rússia despencaram nos anos 1990, com o colapso das indústrias soviéticas, mas estão voltando a crescer, com o crescimento da economia. As emissões atuais, porém, ainda estão bem abaixo dos níveis de 1990, que servem como parâmetro para as metas de Kyoto.

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