Rússia deve desenvolver ''armas ofensivas'', diz Putin

Premiê russo afirma que armamento de ataque garantirá equilíbrio estratégico com os EUA

Reuters, AFP E Efe, MOSCOU, O Estadao de S.Paulo

30 Dezembro 2009 | 00h00

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou ontem que Moscou desenvolverá "armas ofensivas" para garantir o equilíbrio estratégico com os EUA. O premiê não especificou que tipos de armas seriam desenvolvidas e voltou a criticar os planos de Washington de instalar um escudo antimíssil no Leste Europeu. As declarações de Putin foram feitas em um momento crítico das relações entre o Kremlin e a Casa Branca, no qual os presidentes Barack Obama, dos EUA, e Dmitri Medvedev, da Rússia, tentam negociar um novo pacto para substituir o Start, tratado de redução de armas estratégicas, que expirou no dia 5.

"Para manter o equilíbrio sem desenvolver um sistema antimísseis, como fazem os EUA, devemos desenvolver sistemas ofensivos", afirmou Putin durante uma visita a Vladivostok. "Com um "guarda-chuva", nossos interlocutores se sentirão seguros, farão tudo o que quiserem e haverá mais agressividade na política e na economia."

Foi a primeira vez em meses que uma autoridade russa mencionou o sistema antimísseis planejado pelos EUA durante o governo do ex-presidente George W. Bush e duramente criticado por Moscou.

Em setembro, Obama cancelou o plano elaborado por seu antecessor e a Casa Branca decidiu mudar o projeto para um novo sistema de defesa flexível, destinado a interceptar mísseis de curto e médio alcance do Irã.

Putin assegurou que o governo russo está disposto a dar informações para Washington sobre as novas armas ofensivas em troca de mais detalhes sobre os sistemas antimísseis americanos.

ARSENAL

O premiê ainda destacou a importância e a necessidade de um novo tratado de desarmamento para substituir o Start. "A existência de regras determinadas para a redução de armamentos, claras para todos, facilmente verificáveis e transparentes, é melhor do que sua ausência", afirmou Putin.

As negociações entre as duas partes foram adiadas para o começo do ano que vem. Segundo Putin, as conversas sobre o novo pacto estão se desenvolvendo de maneira positiva. No entanto, ele ressaltou que a decisão sobre o assunto não depende dele, mas é de responsabilidade de Medvedev.

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