Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Russos da esgrima também usam resort: para treinar

Escândalo de doping ainda pesa sobre a deleção russa e equipe evita falar com a imprensa

Gonçalo Júnior, enviado especial a Mangaratiba, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2016 | 05h00

No mesmo hotel em que estão os australianos, os atletas russos da esgrima fazem a preparação final para os Jogos do Rio. Nesse canto do gramado, compartilhado entre as duas delegações, dentro do Portobello Resort & Safari, em Mangaratiba, os risos são restritos e as brincadeiras, nulas. Os russos fazem todos os exercícios de alongamento e equilíbrio em silêncio. 

Ainda pesa sobre a delegação o escândalo de doping que impediu o país de disputar várias modalidades. Os esgrimistas foram liberados. Nesta quarta, a Federação Internacional de Esgrima permitiu que os 20 atletas (16 titulares e quatro reservas imediatos) disputassem os Jogos. A entidade analisou novamente os resultados de 197 testes antidoping feitos por esgrimistas em 35 países diferentes entre 2014 e 2016. Todos deram negativo. Antes disso, durante o Campeonato Europeu deste ano, realizado em Torun, na Polônia, todos os participantes já haviam testado negativo.

A delegação se hospedou em Mangaratiba antes mesmo do veredicto final, certos de que poderiam disputar a modalidade. Sob a alegação de que não entendem outro idioma além do russo, os atletas e membros da comissão técnica se esquivam das entrevistas. E, mesmo que compreendessem a língua, dificilmente falariam. Um dos auxiliares de preparação física ficou incomodado com a presença do Estado e perguntou se era “jornal” ou “tevê”. Só ficou aliviado quando percebeu que não havia câmeras. 

A esgrima é um dos esportes que mais dão medalhas para os russos. Já foram nove ouros, quatro pratas e seis bronzes. Como União Soviética, foram 49 pódios (18 ouros, 15 pratas e 16 bronzes), ficando atrás apenas de Itália (121), França (115) e Hungria (83).

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