Sabesp amplia contratos em meio à crise

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) assinou 36 contratos que dão tarifas vantajosas a grandes consumidores de água na Grande São Paulo, mesmo após o início declarado da crise hídrica, em 27 de janeiro de 2014. Com os novos negócios, no valor de R$ 83,2 milhões, a empresa chegou a 526 clientes "fidelizados", como shoppings, supermercados e indústrias, que têm juntos uma cota mínima de consumo contratado de 27,3 bilhões de litros, 3% da demanda total de água na Região Metropolitana.

FABIO LEITE, Estadão Conteúdo

07 de março de 2015 | 09h21

Segundo a Sabesp, parte dos contratos fechados na crise foi exclusiva para o tratamento de esgoto e parte por renovação ou fusão de empresas que já integravam a carteira, mas tiveram de assinar novos negócios. A estatal afirma que "não houve incremento de consumo de água" e desde fevereiro de 2014 os clientes foram liberados do consumo mínimo obrigatório e estimulados a usar fontes alternativas, como poço e caminhão-pipa, o que resultou em uma redução de 24% no consumo mensal em janeiro deste ano.

A relação dos 526 contratos, chamados "demanda firme", foi divulgada no dia 3 pela agência de notícias Pública, que só conseguiu os dados da Sabesp após recorrer à Corregedoria-Geral da Administração (CGA). O Estado já havia solicitado por duas vezes, em setembro de 2014 e em fevereiro deste ano, a lista e o consumo por meio da Lei de Acesso à Informação. A Sabesp negou os pedidos com o argumento de que "preserva a relação comercial estabelecida com seus clientes".

Os contratos de "demanda firme" são destinados a comércios e indústrias que consomem pelo menos 500 mil litros por mês. Enquanto que para o cliente comum a tarifa aumenta conforme o consumo cresce, para os grandes consumidores o custo da água cai. Por exemplo: na faixa de consumo de até 1 milhão de litros, o preço do metro cúbico é de R$ 11,67. Já acima de 40 milhões de litros, o valor é de R$ 7,72/m³.

Os descontos tarifários para grandes consumidores ganhou o centro da discussão da crise no mês passado, após a divulgação de uma lista das 294 empresas "fidelizadas" da capital enviada à CPI da Sabesp na Câmara Municipal de São Paulo. A relação completa dos 526 clientes deverá ser divulgada pela companhia nos próximos dias. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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