Saborosos, fortes, bonitos

Da alface ao cafezinho, sem esquecer os ovos, o bife e o frango ciscador, já há de tudo orgânico. A oferta está melhorando e foi-se o tempo em que produtos orgânicos eram murchinhos, fraquinhos, feinhos. Fuja desses

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2009 | 02h12

Está mais fácil pôr na mesa pães, verduras, sucos, laticínios, grãos, carnes e até vinhos, nacionais, orgânicos e de boa qualidade. A oferta de alimentos cultivados sem defensivos agrícolas já dá conta de uma refeição completa, incluindo o cafezinho. E se você quiser entrar nessa onda, antes de mais nada, vai ter de se conformar em pagar mais pelos produtos.

Sabe aqueles lindos ovos caipiras que estão na capa do Paladar? São ovos de galinhas criadas soltas e livres de promotores de crescimento e chegam a custar três vezes mais que os não orgânicos. O mesmo acontece com as belas verduras e os legumes cultivados sem defensivos, que ilustram estas páginas. Ah, prepare-se também para não comer frutas e verduras fora da estação. Os orgânicos obedecem à sazonalidade e podem sumir dos mercados em determinadas épocas do ano.

Não basta um produto ser orgânico para ser bom. Um mau produtor orgânico vai gerar maus produtos. E mais, o produto pode ser orgânico, certificado e ter defeitos evidentes. Fuja desses. Ser orgânico não é desculpa para ser feio, murcho, machucado. Foi-se o tempo.

Você vai precisar aprender a ler os rótulos. A partir do ano que vem, a vida do consumidor brasileiro vai melhorar porque todos os produtos orgânicos terão de apresentar um selo de certificação. Vai ficar fácil distinguir.

E, por favor, não confunda os termos. Orgânicos são fruto de produção certificada, que exige a conservação do solo, preserva a biodiversidade da fazenda, proíbe o uso de defensivos agrícolas e transgênicos. Biodinâmicos cumprem os mesmos requisitos que os orgânicos, mas ainda levam em conta os fundamentos estabelecidos por Rudolf Steiner, da integração entre a produção vegetal e animal em uma unidade de produção familiar. Hidropônicos são vegetais produzidos em estufa, sem tocar o solo. São alimentados por solução hidromineral, e contrariam os princípios orgânicos.

Laticínios

As vacas leiteiras são criadas soltas, comem capim e não recebem nenhum tipo de aditivo químico para estimular a produção de leite. Na produção convencional, muitos animais são mantidos em cativeiro, sem ver a luz do sol

Carne

Os animais são alimentados com capim e grãos orgânicos. Não recebem hormônios de crescimento nem antibióticos.

Granola

O plantio da aveia, do trigo e do centeio segue a cartilha orgânica, sem resíduos químicos. Apenas 1% do produto - o floco de milho - não é orgânico

Legumes e verduras

São cultivados em solo adubado com esterco e farinha de osso. Costumam ser crocantes e tenros. A cenoura tem destacada doçura, a rúcula preserva o ardido característico e a batata costuma ter textura exemplar.

Café

Entre os orgânicos, é o produto brasileiro mais exportado. Lavoura e todo o beneficiamento são inspecionados. Descartam-se os grãos com defeito. O controle de qualidade garante o selo gourmet

Frango

Leva meses para ficar "pronto", ou seja, no peso ideal para o abate, ao contrário do frango convencional, que está apto para o abate em 40 dias, depois de ser tratado com hormônios e antibióticos.

Açúcar

O processo de refinamento de açúcar envolve enxofre e por isso, uma das primeiras investidas dos ambientalistas foi contra o uso do açúcar branco. O orgânico se parece com o mascavo, não clarificado. Em sua composição há mais minerais, como cálcio e ferro

Biscoitos

Todos os ingredientes que entram na produção precisam ser certificados - solo em que se planta a

cana-de-açúcar, chocolate, baunilha e farinha

Frutas

A maior vítima dos produtos químicos é o morango, que ficou enorme e sem sabor, forçado além de sua sazonalidade. O orgânico é cultivado à base de fertilizantes naturais. Os mais vistosos são vendidos in natura; os demais servem de polpa para sucos. Mas outras frutas e legumes adubados organicamente são menos aguadas e com sabor concentrado

Grãos

O resultado da produção de feijão, milho e soja orgânicos tem surpreendido agricultores. Com controle biológico de pragas, a produtividade se equipara à da lavoura convencional. Os grãos têm menos sódio. O feijão conserva o sabor de ferro

Chá

Sem a adição de nitratos, fungicidas ou herbicidas, conserva o sabor original

Lojas

Alquimia: R. Monte Alegre, 341, tel: 3864-2596. Mercearia, mel

Bio Alternativa: R. Maranhão, 812, tel: 3825-8499. Hortifruti, mercearia, massas, bebidas, laticínios, pães

Carrefour: www.carrefour.com.br. Mercearia, hortifruti, bebidas

Casa Santa Luzia: Al. Lorena, 1.471, tel.: 3897-5000. Com entrega: hortifruti, mercearia, frango, ovos, laticínios, vinhos

Chácara de Orgânicos: R. Rodrigo Vieira, 412, tel: 5084-9697. Com entrega: processados, chás, mercearia

Empório Família Mendonça: R. da Cantareira, 306, tel: 3227-9858. Mercearia

Empório Santa Maria: Av. Cidade Jardim, 790, tel: 3816-4344. Hortifruti, mercearia, vinhos

Emporium São Paulo: Rua Afonso Braz, 431, tel: 3848-3700. Com entrega: hortifruti, ovos

Korin: Rua Coronel Arthur de Godoy, 246, tel: 5579-9363. Com entrega: hortifruti, mercearia, ovos, frango

Melinda & Julius: Rua Dom Armando Lombardi, 511, tel: 3722-2553. Mercearia, pães, mel, hortifruti, ovos, bebidas

Mundo Verde: www.mundoverde.com.br, mercearia

Pão de Açúcar: www.paodeacucar.com.br. Mercearia, hortifruti, ovos, carnes, laticínios, pães

Ponto Verde: Rua do Estilo Barroco, 442, tel: 5182-5161. Com entrega: hortifruti, ovos, mercearia, frango, laticínios

Feiras

Ibirapuera: aos domingos, da 7h às 12h. Rua Tutoia (estac. da Igreja do Santíssimo Sacramento), tel: 3875-2625

Parque da Água Branca: às terças, sábados e domingos, das 7h às 12h. Av. Francisco Matarazzo, 455, tel: 3875-2625 (pela AAO)

Biodinâmica - Só pela internet

Alternativa Natural: www.alternativanatural.com.br (só processados)

Caminhos da Roça: tel: 3733-6727 - www.caminhosdaroca.com.br. Mercearia, hortifruti, pães, laticínios, bebidas

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.