Safra de café 14/15 do Brasil cairá para 47 mi sacas, diz Abic

A safra de café do Brasil em 2014/15 afetada pela seca do início do ano deve cair para 47 milhões de sacas de 60 kg, e os preços mais altos da matéria-prima serão repassados aos consumidores, afirmou nesta quinta-feira a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Reuters

10 Abril 2014 | 11h12

"Houve uma quebra de produção... A estimativa ainda é um número a ser revisado, porque a safra está apenas começando", disse o presidente da entidade, Américo Sato, durante evento promovido pela associação.

Na temporada passada, o Brasil colheu 49,15 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Produtores de café divulgaram estudo recentemente apontando redução na safra ainda maior que a apontada pela Abic na colheita 2014/15, para até 40,1 milhões de sacas.

Desde janeiro, cafezais das principais regiões produtoras do Brasil, incluindo Minas Gerais, sofrem com temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média, com impacto no volume da colheita que será intensificada nos próximos meses.

Os problemas climáticos no maior produtor e exportador de café do mundo levaram a uma alta de cerca de 80 por cento nas cotações internacionais desde o início do ano.

Nesta quinta-feira, o café arábica atingiu uma máxima de mais de dois anos na bolsa de Nova York, por preocupação com a safra do Brasil.

Segundo Sato, a alta nos custos de matéria-prima terá que ser repassada para o consumidor. "Infelizmente, o custo da matéria-prima pesa muito na composição final do preço industrializado", disse.

O executivo estima que a compra de café verde representa 70 por cento dos custos das indústrias brasileiras.

Já o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, disse a jornalistas que é esperado um aumento de 35 por cento no preço médio do café ao consumidor brasileiro em 2014, ante valores do fim de 2013.

"As indústrias sabem que é difícil repassar um reajuste todo de uma vez. Será feito de forma gradativa", afirmou ele.

Mesmo com repasses para o consumidor, Sato acredita que os brasileiros não reduzirão o consumo, porque o café no país ainda será uma bebida relativamente barata.

"Em 20 anos, o café só subiu 60 por cento, bem abaixo da inflação", ponderou.

(Por Gustavo Bonato)

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