SAIBA MAIS-Como agiam os principais acusados no mensalão, segundo a PGR

No segundo dia de julgamento do escândalo que ficou conhecido como mensalão, suposto esquema de compra de apoio político ao governo no Congresso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou estar "convencido" pelas provas da existência do esquema.

Reuters

03 de agosto de 2012 | 20h46

Confira, a seguir, como teriam participado do suposto esquema alguns dos 38 réus, segundo a PGR. Gurgel pediu a condenação de 36 deles, livrando Luiz Gushiken, ex-ministro da Secretaria de Comunicação no governo Lula, e Antônio Lamas, ex-assessor do PL.

JOSÉ DIRCEU

-- Ex-ministro da Casa Civil, Dirceu teria comandado o esquema para a compra votos no Congresso a favor de projetos de interesse do governo. Para o procurador, Dirceu foi a "principal figura" e "mentor" do arranjo. Segundo Gurgel, o ex-ministro não só sabia da suposta cooptação de parlamentares, como também teria ciência da origem do dinheiro usado para a compra dos votos.

JOSÉ GENOINO

-- De acordo com a acusação, Genoino, que presidia o PT quando o suposto negócio ilegal era operado, teria contribuído "decisivamente" para a obtenção dos recursos que teriam sido usados para a compra de apoio parlamentar ao governo. O dirigente petista teria avalizado os supostos falsos empréstimos feitos junto ao Banco Rural e ao BMG. Os recursos teriam sido utilizados para a compra de apoio.

DELÚBIO SOARES

-- O procurador-geral afirma que Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, fez parte do "grupo criminoso" e teria sido o "principal elo" entre o núcleo político (do qual fariam parte José Dirceu e José Genoino) e o núcleo operacional (que seria liderado pelo publicitário Marcos Valério, também réu na ação).

MARCOS VALÉRIO

-- A acusação considera o publicitário como o principal operador do esquema que eclodiu em 2005, ainda no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de supostamente ter oferecido a estrutura de suas empresas para colocar o esquema em prática, Valério também teria possibilitado o aporte de recursos, uma vez que mantinha contatos com dirigentes do Banco Rural e BMG. Para Gurgel, Valério teria operado o esquema de lavagem de dinheiro que seria entregue a parlamentares.

OUTROS ACUSADOS

-- O procurador-geral afirma que os sócios de Marcos Valério também teriam colaborado com o esquema.

-- Sobre alguns dos dirigentes do Banco Rural, citado como "peça-chave" no esquema, Gurgel afirmou que teriam agido para servir a "propósitos ilícitos da quadrilha".

-- A PGR afirma ainda que os parlamentares cooptados teriam recebido dinheiro em espécie e, às vezes, por meio de assessores e outras pessoas, justamente para evitar que fossem responsabilizados criminalmente.

-- A acusação aponta que dirigentes e líderes partidários, como o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, e o ex-presidente do extinto PL Valdemar Costa Neto teriam recebido dinheiro no esquema. Deputados do PMDB e do PT também foram apontados como beneficiários do arranjo.

-- Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato também foi citado por Gurgel. Pizzolato foi acusado de ter desviado recursos em favor de Marcos Valério.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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