Saída de Palocci terá impacto limitado sobre mercado--analistas

A saída de Antonio Palocci da chefia da Casa Civil deve ter impacto limitado no mercado financeiro doméstico, segundo especialistas do setor.

REUTERS

07 Junho 2011 | 19h49

Após semanas de pressão e acusações sobre o aumento de seu patrimônio nos últimos quatro anos, Palocci entregou nesta terça-feira presidente Dilma Rousseff uma carta solicitando seu afastando do cargo, que será agora ocupado pela senadora petista Gleisi Hoffmann (PR).

"O mercado financeiro aprendeu que existem fundamentos para política econômica. Essa saída agora terá menos impacto do que na primeira queda do Palocci... Não é algo que deva impactar muito os ativos", disse Roberto Padovani, Estrategista-chefe do banco Westlb.

Na opinião de Carlos de la Rocque, gestor de renda fixa e derivativos da Brasif Gestão, os mercados podem até esboçar alguma reação negativa no início da quarta-feira, mas isso deve durar pouco.

"Pode até ter um impacto logo no início do dia, mas nada de anormal, se (o DI) subir é para cair depois. A saída do Palocci não foi nenhuma surpresa, já estava meio que no radar no mercado", afirmou.

De acordo com Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria, apesar da boa imagem de Palocci junto ao mercado, a situação do ex-ministro diante das acusações se tornou "insustentável".

"O custo-benefício da permanência do ministro Palocci no governo ficou insustentável. Ele é um político com bom trânsito no PT e no mercado, e com uma boa bagagem política. Mas em função da gravidade das acusações (contra ele), o governo iria ficar refém da base aliada", comentou.

"Ao pedir demissão, ele tira a agenda negativa do governo. A escolha de Gleisi Hoffmann é uma opção pela novidade. Ela foi muito bem votada no Paraná."

Ainda assim, o título soberano de maior liquidez do Brasil no exterior teve forte queda após a notícia da queda de Palocci. O Global 40, principal papel soberado do Brasil e um mais negociados dentre os países emergentes, caía 3,437 pontos, a um valor de face de 133,063 por cento, elevando o yield a 2,609 por cento.

Os mercados acionário, de câmbio e de DI repercutiram de modo discreto nas últimas semanas a crise envolvendo o ex-chefe da Casa Civil. Nesta sessão, o principal índice da Bovespa subiu, enquanto o dólar e as projeções de juros recuaram.

"Você tem dois lados da história. A queda do Palocci é ruim de certa forma porque ele tinha um viés mais próximo do mercado, era um ministro mais alinhado com a visão dos investidores", disse José Goes, analista econômico da WinTrade. "Por outro lado, viramos uma página, encerramos um assunto".

SEGUNDA QUEDA

Antonio Palocci deixou pela segunda vez um cargo-chave no governo federal, agora tornando-se a primeira baixa do governo Dilma.

Os problemas para Palocci começaram em meados de maio, quando o jornal Folha de S.Paulo publicou que o patrimônio de Palocci cresceu 20 vezes no período em que ele foi deputado federal de 2007 a 2010.

Palocci justificou-se afirmando que os rendimentos de suaempresa de consultoria foram declarados à Receita Federal. No entanto, as acusações não cederam e sua permanência no cargo tornou-se insustentável.

O ex-chefe da Casa Civil também havia sido ministro da Fazenda no primeiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e deixou o cargo após um escândalo envolvendo a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, que acusara o ministro de receber com frequência em sua casa grupos que faziam lobby junto ao governo federal.

(Reportagem de Aluísio Alves, Paula Laier, Adriana Garcia; Colaboraram Eduardo Simões e Hugo Bachega)

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