Salafistas atacam vendedores de bebida alcoólica em Túnis

Choques entre vendedores de bebidas alcoólicas e muçulmanos salafistas linha-dura irromperam na capital tunisiana, neste domingo, e deixaram um comandante da polícia ferido, informou uma autoridade de segurança, na mais recente mostra das tensões religiosas no berço da Primavera Árabe.

Reuters

28 de outubro de 2012 | 15h55

A Tunísia, cujo presidente autoritário, Zine El Abidine Ben Ali, foi deposto por um levante popular no ano passado, tem um governo eleito de maioria islâmica.

Desde então, o papel da religião no governo e na sociedade emergiu como pomo da discórdia no país do norte africano, que durante décadas foi considerada uma das nações mais laicas no mundo árabe.

"O comandante Wissam Ben Sliman foi ferido na noite passada (sábado) em choques depois que salafistas atacaram vendedores de bebida na área de Dawar Hicher", declarou Sami Gnaoui, membro do sindicato da Guarda Nacional. "Eles o atacaram com uma facada no pescoço. Ele está no hospital em estado crítico".

No mês passado, dúzias de muçulmanos salafistas atacaram um hotel em Sidi Bouzid, o berço da revolução tunisiana, porque ali se servia álcool. Eles destruíram móveis e quebraram garrafas de bebida.

O Ennahdha, um grupo islâmico moderado, formou uma coalizão com dois partidos seculares e prometeu não proibir o álcool, impor o uso do véu ou usar a sharia (lei islâmica radical) como base da legislação tunisiana.

O grupo sofre pressões tanto de muçulmanos salafistas linha-dura pela imposição da lei islâmica quanto de partidos laicos da oposição para evitá-la.

A organização de direitos humanos Human Rights Watch, sediada nos EUA, disse este mês que a Tunísia não está tendo sucesso em conter a violência islâmica contra defensores do secularismo, como jornalistas e artistas.

(Por Tarek Amara)

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