Salva da extinção

A uva Viognier reagiu graças a um punhado de apreciadores. Parece que o mercado, que às vezes é inteligente, clamava por um vinho branco fora da modorra do Chardonnay. É a única uva francesa cujos vinhos não devem envelhecer: têm aroma mais intenso jovem

Saul Galvão,

14 Maio 2009 | 10h59

A uva Viognier esteve realmente bem perto da extinção, mas reagiu graças a um punhado de apreciadores. Primeiro, começou a ser mais plantada na sua minúscula denominação de origem, Condrieu, na qual é a única permitida, nas Côtes du Rhône; depois, aos poucos e penosamente, pelo sul da França e, posteriormente em outros países como Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Argentina, Chile e Brasil, entre outros. A denominação Condrieu limitava em 1965 a produção a apenas 1.900 litros de vinho branco feitos com a Viognier. Como assinala o escritor Oz Clark, parece que o mercado, que às vezes pode ser inteligente, estava clamando por um vinho branco que saísse da modorra do Chardonnay, sem carvalho e com acidez refrescante muito atraente. Sempre houve outras grandes uvas que não se encaixavam nos clichês (a maravilhosa Riesling, por exemplo). Veja também: Viniterra 2008 Anakena Viognier 2007 Bicicleta Reserva Viognier 2007 Finca La Linda Viognier 2008 Segundo os franceses, a Viognier é a única uva francesa cujos vinhos não devem envelhecer. O aroma desses vinhos é mais intenso quando jovens. Dizem que ao se visitar uma cave de Viognier basta tirar as tampas dos invólucros e já desprende um aroma maravilhoso, um de seus grandes charmes. Ela dá vinhos encorpados, doces, fáceis de gostar, que não têm nenhuma vocação para envelhecer em barricas de carvalho e pegar o gosto da madeira. Sua doçura natural dispensa o carvalho. Algumas vezes um Viognier parece meio aguado, sem concentração. Alguns colhem as uvas antes da maturidade ideal para que o vinho não fique alcoólico. A Viognier é naturalmente alcoólica e é preciso cuidado na vinificação para não ficar meio chata, sem acidez. Na França, a Viognier, normalmente cara, é bastante prezada para o aperitivo. Sua aromaticidade favorece esse consumo despreocupado. Mas ela tem também sempre bom corpo e concentração de sabor que sugerem a companhia de frangos, carne de porco e frutos do mar bem temperados. Dos apenas 3,6 hectares do Château Grillet, na pequena denominação de origem Condrieu, sai um dos mais caros e famosos brancos da França. O Château Grillet está entre as "pérolas brancas" francesas da classificação do grande gastrônomo Brillat-Savarin, ao lado do Château d’Yquen, Le Montrachet e Clos de Serrant.

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