Salva da extinção

A uva Viognier esteve realmente bem perto da extinção, mas reagiu graças a um punhado de apreciadores. Primeiro, começou a ser mais plantada na sua minúscula denominação de origem, Condrieu, na qual é a única permitida, nas Côtes du Rhône; depois, aos poucos e penosamente, pelo sul da França e, posteriormente em outros países como Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Argentina, Chile e Brasil, entre outros. A denominação Condrieu limitava em 1965 a produção a apenas 1.900 litros de vinho branco feitos com a Viognier. Como assinala o escritor Oz Clark, parece que o mercado, que às vezes pode ser inteligente, estava clamando por um vinho branco que saísse da modorra do Chardonnay, sem carvalho e com acidez refrescante muito atraente. Sempre houve outras grandes uvas que não se encaixavam nos clichês (a maravilhosa Riesling, por exemplo).

saul.galvao@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2009 | 03h21

Segundo os franceses, a Viognier é a única uva francesa cujos vinhos não devem envelhecer. O aroma desses vinhos é mais intenso quando jovens. Dizem que ao se visitar uma cave de Viognier basta tirar as tampas dos invólucros e já desprende um aroma maravilhoso, um de seus grandes charmes. Ela dá vinhos encorpados, doces, fáceis de gostar, que não têm nenhuma vocação para envelhecer em barricas de carvalho e pegar o gosto da madeira. Sua doçura natural dispensa o carvalho.

Algumas vezes um Viognier parece meio aguado, sem concentração. Alguns colhem as uvas antes da maturidade ideal para que o vinho não fique alcoólico. A Viognier é naturalmente alcoólica e é preciso cuidado na vinificação para não ficar meio chata, sem acidez.

Na França, a Viognier, normalmente cara, é bastante prezada para o aperitivo. Sua aromaticidade favorece esse consumo despreocupado. Mas ela tem também sempre bom corpo e concentração de sabor que sugerem a companhia de frangos, carne de porco e frutos do mar bem temperados.

Dos apenas 3,6 hectares do Château Grillet, na pequena denominação de origem Condrieu, sai um dos mais caros e famosos brancos da França. O Château Grillet está entre as "pérolas brancas" francesas da classificação do grande gastrônomo Brillat-Savarin, ao lado do Château d?Yquen, Le Montrachet e Clos de Serrant.

FINCA LA LINDA VIOGNIER 2008

ONDE ENCONTRAR: DECANTER, TEL. 3969-4949

PREÇO: R$ 34,10

COTAÇÃO: 87/100 PONTOS

A Finca La Linda, em Mendoza, Argentina, pertence à grande firma Luigi Bosca, que tem uma linha variada de tintos e brancos. Este branco com cor de vinho novo, clarinho, reflexos esverdeados, sugere um vinho alegre e refrescante. Aroma intenso, com evidentes toques de casca de limão. Aroma já começa refrescante e o floral só aparece ao longe. Na boca, essa característica continua agradavelmente. Também tem uma boa concentração, que o credencia a acompanhar muitos pratos com frutos do mar, bem temperados. Do lado negativo está apenas a alta graduação alcoólica. O vinho é gostoso, mas fica um pouco de álcool a mais.

14,5% de álcool.

BICICLETA RESERVA VIOGNIER 2007

ONDE ENCONTRAR: WINE PREMIUM, TEL. 3040-3434

PREÇO: R$ 39

COTAÇÃO: 87/100 PONTOS

Outro vinho de primeira feito pela Cono Sur, uma subsidiária da gigante Concha y Toro, mas com instalações próprias e vinhedos ecologicamente corretos em Chimbarongo, no Vale de Colchagua, Chile. As águas são reaproveitadas e cisnes ajudam a controlar as pragas. Sua especialidade é a Pinot Noir, mas faz com muita classe também vinhos como este Viognier. Aroma muito bom, com os aspectos frutais típicos da uva. Também aparece algo mineral. Ataque na boca de primeira. Um vinho mais para o suave que para o refrescante. Bom corpo, credenciando para acompanhar uma boa refeição. Não é refrescante, mas está longe de ser enjoativo. Falta de acidez pode dar a impressão de doce. 13,5% de álcool.

ANAKENA VIOGNIER 2007

ONDE ENCONTRAR: ARMAZÉM DOS IMPORTADOS, TEL. 3539-0970

PREÇO: R$ 48

COTAÇÃO: 88/100 PONTOS

A Anakena é uma vinícola nova, dos anos 1990, vinhedos modernos e muito atualizados, com uma linha extensa de tintos e brancos. Um vinho gostoso, concentrado, bom corpo, ?doce?, macio e fácil de beber. Primeira impressão não foi das melhores. Vinho bonito, amarelo-palha claro, mas pouco expressivo no aroma. Também não impressionou pela intensidade. Na boca, parece outro vinho, gostoso da primeira impressão ao retrogosto. O aspecto floral da Viognier começa a aparecer agradavelmente no primeiro contato com a boca. Muitas frutas doces. Não é dos mais refrescantes. Melhor com peixes brancos e frutos do mar de sabor não marcante. Álcool equilibrado. Para provar jovem, agora. 13,5% de álcool.

VINITERRA 2008

ONDE ENCONTRAR: VINEA STORE, TEL. 3059-5205

PREÇO: R$ 53

COTAÇÃO: 87/100 PONTOS

Um Viognier argentino originário do coração da zona do Malbec, Lujan de Cuyo. Um vinho alegre, muito de acordo com a definição. A primeira impressão do aroma foi floral, o que é bem de acordo. Depois começa a aparecer uma série de frutas, como o abacaxi e um toque meio cítrico. Aparece ainda mais abacaxi. Com corpo e concentração de sabor, como convém a um Viognier, e também uma certa refrescância. Bom no aroma e na boca. Um vinho bom para a mesa e também agradável para bebericar bem geladinho. Bastante evocação de mel ao final. Deixa na boca sensação refrescante. Um vinho equilibrado. A graduação alcoólica é alta, mas não se destaca. 14% de álcool.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.