Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Salvas da extinção pelo leiteiro

Witbier, cerveja de trigo, é branca e isso fica evidente assim que ela entra no copo e o líquido turvo se revela. O que poucos sabem é que o estilo esteve à beira da extinção e foi salvo por um sujeito belga que decidiu abrir uma fábrica apenas para produzi-la.

Daniel Telles Marques, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2013 | 02h18

Pierre Cellis criava vacas e vendia leite como tantos outros da pequena cidade de Hoegaarden, a leste de Bruxelas. Tinha 30 anos, uma produção regular de leite e estava interessado na fabricação de cerveja. Remanejou umas vacas e, em 1966, transformou parte do curral em cervejaria, a De Kluis. Em seguida, resgatou da memória uma velha receita de cerveja de trigo temperada com coentro e casca de laranja, muito comum no século 17, que estava desaparecida. Começou a produzir suas Hoegaardens. O sucesso foi imediato e Cellis acabou por escrever seu nome em definitivo na história das bebidas, produzindo uma cerveja que se tornou referência em witbier.

Apesar dos condimentos, as wits não são de muita invenção. O lúpulo deve estar moderado, para dar leve e discreto amargor; os gostos cítricos devem predominar e é bom sinal quando aromas de flor saem passeando pelo nariz. Outra característica do estilo é a turbidez, afinal, essas cervejas não são filtradas; além da espuma densa e refrescância quase mentolada.

Para avaliar algumas das witbiers disponíveis no mercado brasileiro, participaram da degustação de rótulos importados os sommeliers de cerveja André Oliveira e Caio Fogaça.

Nøgne Ø Wit

Origem: Noruega

Preço: R$ 51,90 (500 ml), na puromalte.com.br

Teor: 4,5%

O lúpulo é marcante e até um pouco acima do esperado para o estilo. Não chega a ser um defeito, porque, na boca, o equilíbrio entre doçura, amargor e refrescância atende à expectativa.

Aromas: laranja, abacaxi, pêssego, feno e notas de mel.

Sabores: maçã, semente de coentro. Amargor de médio para baixo, doçura média e acidez baixa.

Vai bem com: ceviche e risoto de gorgonzola com pera.

Calavera Witbier

Origem: México

Preço: R$ 24 (355 ml), na costibebidas.com.br

Teor: 4,8%

É refrescante e delicada. Chama a atenção o gosto forte de laranja, como se fosse uma fruit beer, mas melhorada. A espuma é menos breve do que se espera de uma wit, algo que não chega a incomodar, dada as qualidades da cerveja.

Aromas: leve floral, condimentos e cheiro de casca de laranja.

Sabores: corpo leve, amargor e doçuras baixos. Acidez média.

Vai bem com: peixe na manteiga com alecrim e risotos.

Blanche de Bruxelles

Origem: Bélgica

Preço: R$ 12 (330 ml), na beershop.com.br

Teor: 4,5%

O trigo aparece discretamente nesta cerveja. Pela cor e aroma de feno, pode passar a impressão errada de ser uma saison. Ainda que fuja um pouco do estilo, é uma boa cerveja. Espuma densa e persistente.

Aromas: coentro bastante evidente e leve cheiro de malte.

Sabores: amargor de médio para baixo, doçura média e acidez discreta.

Vai bem com: bruschetta de tomate com manjericão.

Amadeus Biere Blanche

Origem: Bélgica

Preço: R$ 18,90 (330 ml), no clubedomalte.com.br

Teor: 4,5%

Esta wit belga é a típica cerveja para uma tarde de sol. Refrescante e levemente cítrica, mata a sede sem enjoar, apesar do forte gosto de banana.

Aromas: coentro, laranja e leve feno.

Sabores: amargor baixo, doce médio, balanceado, e boa acidez. Cerveja frisante e leve.

Vai bem com: porção de sardinhas fritas com gotas de limão-siciliano por cima.

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