'Salvei minha filha, mas minha mulher ficou'

Pedreiro relata momento de desabamento de sua casa em Rio Comprido

, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2010 | 00h00

RIO

O pedreiro Paulo Sergio Silva pulou do sofá ao ouvir o estalo que antecedeu ao desabamento de sua casa, na Comunidade Torre Branca, no Rio Comprido, no sábado, por volta das 21h30. Correu para o quarto. A mulher, Valdete Santos da Silva, com quem ele assistia à televisão, não teve a mesma agilidade e acabou soterrada.

A filha de 10 anos estava no banheiro e ele conseguiu resgatá-la. A menina quebrou um braço e se machucou nas pernas. "Salvei minha filha, mas deu uma avalanche e minha mulher ficou. Isso foi em uma fração de segundos", lamentou, ontem à tarde, muito abalado, enquanto acompanhava o trabalho de resgate dos bombeiros.

A família é vizinha de cima de Roseane Coelho Monteiro Lima, também vítima do desabamento. Eles nunca haviam sido alertados pela Defesa Civil da cidade de que corriam perigo, segundo relatou o pedreiro.

Ontem, o coordenador de Defesa Civil do município, coronel Sérgio Simões, informou que a área é vulnerável e ficou ainda mais instável por causa da força das chuvas, tanto que, para que os bombeiros trabalhassem nas buscas por vítima, foi necessário escorar a estrutura do imóvel.

O pedreiro acompanhou o trabalho de resgate dos dois corpos dos escombros. O da vizinha foi encontrado de manhã; o de sua mulher, somente à tarde. Ele não chegou a falar com o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que passou por lá por volta das 9 horas. "Eu nem queria mesmo falar com ele. O prefeito tem que parar com esse negócio de quebrar a banca de quem está trabalhando honestamente, de tirar os vendedores das praias, e olhar para essas encostas. Ele quer é aparecer para os riquinhos", criticou. R.P.

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