Sangue colhido no apartamento era dos Nardonis

Exame anterior era contestado por casal acusado de matar menina

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

O resultado de um exame de DNA é o mais novo golpe contra a defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Ele confirmou que eram dos dois as amostras usadas pelo Instituto Médico-Legal (IML) para comparar com as manchas de sangue das roupas e do chão do apartamento do casal. Os Nardonis negavam que tivessem fornecido as amostras e contestavam os resultados dos exames que os incriminavam no processo em que respondem pelo assassinato de Isabella, de 5 anos, ocorrido em 29 de março de 2008. A menina teria sido atirada da janela do 6º andar do prédio em que seu pai morava, na zona norte de São Paulo.

"Eles assinaram declarações dizendo que não haviam fornecido as amostras porque não havia seringas no IML", lembrou o promotor de Justiça, Francisco José Cembranelli. Foi por causa dessa negativa, que colocava em xeque os resultados das perícias criminais - pedra angular da acusação contra os Nardonis - que a Justiça determinou que o exame de DNA fosse refeito, de acordo com o pedido do criminalista Roberto Podval, que defende o casal. Peritos foram enviados às penitenciárias em que estão Alexandre e Anna Carolina e colheram amostras de saliva.

Foi feita, então, a comparação do DNA dessas amostras com as de sangue que foram utilizadas para confirmar que as manchas nas roupas e no apartamento do casal achadas após o crime eram mesmo dos réus. O resultado positivo foi anunciado ontem pelos peritos para os advogados do casal e para o promotor de Justiça. Assim, não resta mais dúvida.

IDÊNTICOS

"Eles alegaram algo que foi desmoralizado pelo exame, que mostrou que o material genético das amostras são absolutamente idênticos", disse Cembranelli. A estratégia dos Nardonis de contestar os laudos ficou mais uma vez prejudicada - eles chegaram a contratar peritos e legistas, sem sucesso.

O próximo passo do processo deve ser a designação de uma data para que os réus sejam julgados no 2º Tribunal do Júri de São Paulo. A realização do exame de DNA era a última diligência pedida pelas partes. Como os tribunais já negaram 12 habeas corpus da defesa do casal - o último foi decidido por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça na semana passada -, a expectativa da acusação é que o júri ocorra no primeiro trimestre de 2010.

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