Sangue-frio na hora de investir

Executivo vendeu apartamento e colocou dinheiro no vai e vem da Bolsa

Raquel Landim e Márcia De Chiara, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2009 | 00h00

Saulo Passos, 32 anos, é um investidor ousado e fez o que muitos considerariam uma loucura: vendeu o apartamento e colocou o dinheiro na Bolsa. Na época, parecia um excelente negócio. Era outubro de 2007, o mercado de ações "bombava" e ele estava de mudança para Miami com a esposa, Juliana.

O executivo seguiu os ensinamentos de um MBA em finanças feito na USP e não quis manter seus recursos imobilizados. Vendeu o apartamento na Zona Oeste de São Paulo e aplicou 80% na Bolsa. Passos, que é gerente de mídias sociais da Nokia para a América Latina, vendeu o imóvel por 50% a mais do pagou. Se o apartamento tivesse ficado fechado, hoje ele teria 100% a mais, graças à explosão do mercado imobiliário da cidade. "Fiz um bom negócio quando vendi o apartamento. Mas, se tivesse mantido, teria feito um ótimo negócio."

No primeiro trimestre de 2008, tudo parecia ir bem. As ações se valorizaram 15% e ele achou que estava no caminho certo. Mas o mercado começou a mudar e, em setembro, quebrou o Lehman Brothers.

No auge da crise, Passos chegou a ver seu patrimônio reduzido em 30% e bateu o desespero. Ele conta que algumas ações que possuía, como as da Gerdau, chegaram a cair 40%. "Era o dinheiro que acumulei a vida toda", disse.

Mesmo assim, manteve o sangue-frio e, como não precisava do dinheiro, não mexeu nas aplicações. Hoje, com a retomada do mercado, está apenas 12% abaixo do capital inicial. As chances de que recupere as perdas e até obtenha lucro na Bolsa são grandes, já que possui ações de empresas promissoras, como a Petrobrás, que descobriu as mega reservas do pré-sal.

Passos acabou de ter um filho e agora avalia se mantém o dinheiro na Bolsa brasileira ou se compra um imóvel nos Estados Unidos, mercado onde os preços caíram muito com a crise e devem subir no futuro. "Vamos ver até quando eu aguento", brinca.

Ao contrário de quem entrou na Bolsa no auge, investidores novatos estão contentes com os resultados. O administrador de empresas Lydiberto Martinez-Conde Villar, de 23 anos, começou a investir suas economias na Bolsa em março deste ano, em plena crise.

"Entrei na Bolsa quando ela estava em baixa", conta. Ele chegou a perder 30%, mas já recuperou com folga os prejuízos e obteve um rendimento de 50% sobre o capital investido. "No começo perdi dinheiro, porque ficava muito ansioso e comprava e vendia os papéis, sem dar um tempo para que as ações tivessem uma valorização."

Villar também passou a estudar os setores que despontam com melhores perspectivas. Recentemente, comprou papéis da Duratex e da Eztec, duas companhias ligadas direta e indiretamente ao setor imobiliário, que tem boas perspectivas de crescimento. O administrador coloca 30% dos recursos em ações e, o restante, prefere aplicar em fundos multimercados .

"Acho que a Bolsa é o melhor investimento", afirma o administrador. Sua meta é continuar aplicando parte das economias para dar entrada num apartamento na metade de 2011.

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