Santa Casa recebe aporte de R$ 3,6 mi

Convênio firmado com o Ministério da Saúde prevê ainda a criação de pelo menos mais 200 leitos de retaguarda para o pronto-socorro

FERNANDA BASSETTE, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h01

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou ontem um convênio com a Santa Casa de São Paulo que prevê a liberação de R$ 3,6 milhões (em parcelas de R$ 300 mil por mês) para serem investidos no pronto-socorro.

Em maio deste ano, conforme o Estado antecipou, a Santa Casa ameaçou fechar as portas do pronto-socorro central caso não recebesse aporte financeiro dos governos municipal, estadual e federal para sanar uma dívida acumulada que girava em torno de R$ 120 milhões. Após negociações, conseguiu o apoio e manteve o funcionamento da unidade.

O convênio assinado ontem integra o SOS Emergências - programa do governo federal que tem como objetivo qualificar a gestão e o atendimento nas emergências de grandes hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Santa Casa atende exclusivamente pacientes do SUS - cerca de mil pessoas por dia só no PS.

Na primeira fase do programa, 11 hospitais serão beneficiados. Em São Paulo, além da Santa Casa, o Hospital Santa Marcelina também receberá recursos. A ideia do Ministério da Saúde é atingir 40 hospitais de todo o País até o fim de 2014.

Retaguarda. Como parte do programa, foi implantado um grupo técnico que será responsável por traçar um diagnóstico das principais dificuldades relacionadas ao pronto-socorro, apontando as medidas a serem adotadas. O grupo terá 30 dias para concluir o diagnóstico e apresentar as propostas.

Segundo Antônio Carlos Forte, superintendente da Santa Casa, seriam necessários cerca de 200 leitos de retaguarda para conseguir desafogar o pronto-socorro - ontem, quando Padilha visitou as instalações da unidade, ao menos 10 pacientes aguardavam vagas acomodados em macas espalhadas pelos corredores do hospital.

A ideia dos leitos de retaguarda é acomodar os pacientes que foram atendidos no pronto-socorro, não correm risco de vida, mas precisam ficar em observação. Hoje, como não há vagas suficientes, esses doentes esperam em macas no corredor - o PS tem 55 leitos.

É o caso da aposentada Suzana Helena dos Santos, 57, que acompanhava em pé a filha Fernanda, de 27, que estava deitada em uma maca no corredor. A jovem passou por uma cirurgia de redução de estômago recentemente e teve um desmaio na noite de anteontem.

"Chegamos aqui por volta das 22h de quinta. Passamos a madrugada toda sentadas em uma cadeira esperando para fazer exames que até agora não foram feitos. Só agora de manhã colocaram ela para descansar em uma maca, quase 24 horas depois", diz Suzana. "O atendimento acontece a passos muito lentos, é muito ruim", diz.

Segundo Forte, os leitos de retaguarda acabam com essa situação. "Serão como vasos comunicantes. Você tira o doente do pronto-socorro e oferece a ele uma condição adequada de atendimento. O paciente não vai ficar desassistido, só vai ser acompanhando em outro local", diz.

Mais recursos. Para viabilizar essa ampliação de leitos, Padilha anunciou a duplicação dos repasses por dia de internação, que passarão de R$ 145 para R$ 300. Esse valor será repassado além dos R$ 300 mil mensais, que já são parte do convênio.

Forte diz que a Santa Casa está analisando a possibilidade de assumir algum hospital de São Paulo que tenha fechado as portas recentemente. "A gente faria as pequenas reformas necessárias e ofereceria todo o recurso humano. Somos um hospital escola, temos condições para isso", diz Forte, que não adiantou quais são os hospitais que estão sendo sondados.

"Muitas pessoas têm a vida salva no pronto-socorro e precisam ficar esperando por dias um leito para serem internados. Uma parte dos leitos da Santa Casa já está à disposição do pronto-socorro, mas é possível ter outros. Essa é a prioridade: abrir 200 leitos para a enfermaria de retaguarda", afirmou o ministro Padilha.

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