São 226 pés. E pasmem: todos para uma pessoa só

Se você vai pedir a fruta a ele, diga com nome e sobrenome. Para Luiz Carlos Pires Gabriel, comer manga do pé não é nada simples. Ele não tem à disposição só uma mangueira ou um tipo de manga. São 226 pés e cada um com uma variedade. Na coleção do homem há raridades brasileiras como a manteiga, macia e sem fibras, além de preciosidades estrangeiras a exemplo da compacta manga americana M20, que ele diz ser rara mesmo nos EUA por se tratar de um fracasso mercadológico, mas jura que é uma das melhores dali. Veja também: Dona perfumada Aprenda o passo a passo com o chef Thiago Bettin Ferran Adrià: 'Tenho uma queda por manga' Na tailândia, é parceira do arroz doce Chutney: manga, liquidificador e... pimenta? Índia: manga em todos os lugares  Receita de chutney de manga  Receita de foie gras com manga  Receita de marinada de manga com surubim e tapioca  Receita de manga grelhada com maracujá  Receita de terrina de chocolate branco e manga Em 5 alqueres do Sítio São Bento, em Jurupema, município de Taquaritinga, no interior de São Paulo, este médico aposentado de 70 anos reuniu mudas de todas as esquinas do mundo. Não podiam faltar representantes da Índia, Tailândia e das Filipinas, países onde a manga é apreciada há séculos do café da manhã ao lanche furtivo da madrugada. "Lá no Oriente eles quase não comem frutas da cor vermelha, dizem que é coisa do demônio, né? Por aqui o pessoal tem mania de manga vermelha. Mas as melhores são as verde-amarelas, essas você pode ter certeza que Deus criou", expressa. Nada contra as mangas híbridas feitas em laboratório, ele frisa, "tem algumas ótimas". Não foi um casamento impulsivo. Ao longo dos últimos anos, Luiz Carlos foi juntando as mudas como duas pessoas que parcimoniosamente juntam os trapos. Se ouvia falar de uma manga interessante da África do Sul, por exemplo, dava um Google e descobria como chegar até ela. "Não tenho uma quantidade suficiente para vender, é só para consumo próprio mesmo", choca Luiz. "Ah, você sabe, a família e os amigos", completa. Então quer dizer que as milhares de manguinhas que caem destes pés são exclusividade de uma dúzia de sortudos? Ele diz que sim, pois é, mas o pomar está sempre aberto para visitações. Não é difícil cuidar das mangas, mas é difícil cuidar de 226 pés sem usar 'veneno'. Luiz Carlos não gosta de agrotóxicos, principalmente por causa dos netos, que vivem circulando entre as árvores. "Você precisa basicamente de um trator, um pulverizador e um bom agrônomo", ensina. Entre mangas com tamanho e aspecto do pêssego, mangas doces como a Carrie, que tem quase tanto açúcar como a cana de açúcar, pedir para que cite uma preferida é uma covardia que nós não resistimos e cometemos. Ainda bem, porque Luiz Carlos pensou uns poucos instantes e deu uma resposta. "A brasileira Oliveira Neto". É redonda, suculenta, tem a casca verde com pintas pretas e poucas fibras. "Ninguém gosta de ficar com fiapo no dente", prega. Dizer que existe uma manga perfeita é mentira, complementa, é igual time de futebol, cada um gosta de um. E é precisamente essa a resposta que ele dá quando fazem a pergunta mais díficil. Por que tantos pés? "Eu gosto de manga".

Giovanna Tucci,

12 Novembro 2009 | 10h58

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