São Paulo assiste à 'Batalha dos Wailers'

Duas formações da lendária banda que acompanhou Bob Marley apresentam-se amanhã e domingo na cidade; uma coincidência, garante o músico Aston Barrett

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2010 | 00h00

Jah seja louvado! Parece ironia do destino: na mesma semana, duas formações da lendária banda The Wailers, que acompanhou nos anos 1970 o não menos lendário ídolo jamaicano Bob Marley, desembarcam em São Paulo. Uma das bandas, The Wailers, é encabeçada pelo idiossincrático baixista jamaicano Aston "Familyman" Barrett, remanescente daquela formação; o outro conjunto, que se autointitula The Original Wailers, também tem ex-integrantes: o guitarrista jamaicano Donald Hanson Marvin Kerr Richards Jr., e o guitarrista norte-americano Al Anderson.

Aston Barrett e seus Wailers & Alpha Blondy tocam no Credicard Hall no domingo, às 22 horas. Os Original Wailers de Junior Marvin tocam no Via Funchal amanhã. A quem pertence o espólio? Cuidado com a resposta, pode dar confusão. "Não sei nem quero saber, sou amigo de todos eles", diz o músico Alpha Blondy, da Costa do Marfim, que excursiona com The Wailers. A "batalha dos Wailers" que São Paulo testemunhará esta semana foi mera coincidência, é o que garante Aston Barrett, em entrevista por e-mail ao Estado.

Teremos duas formações do Wailers ao mesmo tempo aqui, a sua e a de Junior Marvin. Por que isso? É algum tipo de conspiração de um lado contra o outro?

Nunca foi planejado, não da nossa parte. The Wailers tem estado em turnê ininterrupta desde a morte de Bob Marley em 1981, e a outra banda, cujos membros são de dentro e de fora dos Wailers, foi formada em 2008. Sempre haverá só um Wailers. Nós somos os Wailers que carregamos a tocha por aproximadamente 30 anos.

O sr. viu a outra banda tocando? Quais suas impressões?

Não, eu não vi.

Há alguma chance de ver algum dia vocês tocando juntos, o sr. Marvin e Anderson?

A gente nunca sabe.

Como foi sua relação com Bunny Wailer?

Nós somos uma família e somos do bem.

Há uma história a respeito de seu apelido, Familyman. Muita gente diz que é porque o sr. tem cerca de 50 filhos. Isso é verdade? Quantos filhos tem atualmente?

Familyman é o nome que me deram porque eu sou tudo na banda, de líder a diretor musical, de baixista a arranjador. Tenho 42 filhos.

O sr. sempre disse que a família Marley, especialmente a viúva Rita Marley, lhe deve dinheiro. O sr. tem reclamado o pagamento desse dinheiro nos últimos 26 anos, especialmente quantias derivadas de royalties, propaganda e shows. O sr. pode avaliar quanto dinheiro isso dá?

Dinheiro não é o motivo pelo qual eu continuo a fazer isso. Você deve ouvir a performance da banda e ouvir a mensagem, isso não envolve dinheiro.

Tenho uma curiosidade especial: qual é sua opinião sobre os filhos de Bob Marley? Quero dizer, como músicos? Julian Marley, Ziggy Marley, Stephen, Ky-Mani?

Eles são todos grandes de seu próprio jeito, cada um deles tem um pedaço do pai.

No ano que vem, será comemorado o aniversário da morte de Bob Marley, 30 anos. Eu proponho ao sr. um exercício: qual seria o lugar que Bob ocuparia na cena musical dos dias de hoje?

Bob foi, ainda é e sempre será uma lenda. Sua música é atemporal porque ele fala sobre amor, igualdade, e conclama você a lutar pelos seus direitos. As canções são sobre coração e alma e o oxigênio do povo - essa é a mensagem da cultura roots e a realidade. O reggae a música que os Wailers tocam é um presente do poder de Deus. Nossa música fala sobre muitas coisas, politicamente, emocionalmente, espiritualmente, que são universais. Música é o futuro e seus escritores e cantores e canções são instrumentos da verdade e devem nos conduzir ao nosso futuro.

Como o sr. conheceu Bob Marley?

A música nos aproximou. No começo dos anos 1970, Bob estava vivendo com sua mãe e seu pai aqui, nos Estados Unidos. Depois de um tempo, ele voltou à Jamaica porque queria ficar pronto e voltar de novo à música. Eu estava lançando meu primeiro disco quando ele... Ele estava tentando reunir todos seus músicos favoritos para vibrarem com ele, e eu fui chamado. Ouviu alguma coisa da minha produção e daquilo que fiz e perguntou: "Quem tocou essa música?", e disseram para ele: "O Homem que Chamam de Familyman." Ele mandou alguém à minha procura e eu vim e ele perguntou: "É você que chamam de Familyman?" Eu disse: "Yeah." Ele continuou: "É você mesmo que toca todos aqueles sons no baixo? Então você deve ser o cara certo." E assim foi.

Serviço

The Original Wailers. Via Funchal (6 mil lug.). Rua Funchal, 65, telefone 2144-5444. Amanhã, 22 horas. R$ 100/ R$ 180

The Wailers & Alpha Blondy. Credicard Hall(6.938 lug.). Av. das Nações Unidas, 17.955, tel. 2846-6000. Dom., 20 h. R$ 80/R$ 250

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