São Paulo bate recorde de atividade turística em 2010

A cidade de São Paulo bateu em 2010 seu recorde de atividade turística, com crescimento de 11,7% em relação a 2009. O anúncio foi feito hoje pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), durante a abertura da São Paulo Fashion Week (SPFW), no Parque do Ibirapuera, zona sul da capital paulista. Segundo levantamento da Prefeitura, o ano fechou com recorde na faixa média de ocupação hoteleira de 68,5% - nos meses de outubro e novembro a média chegou a 98%. Para a SPTuris, a capital paulista deixou de ser um destino apenas de turismo de negócios e eventos e passou a abranger o turismo cultural.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

28 de janeiro de 2011 | 17h44

"Hoje São Paulo é o primeiro destino turístico da América do Sul", comemorou Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris, empresa de eventos e turismo da capital paulista, ao se referir ao número de turistas recebidos na cidade. São Paulo tem hoje 410 hotéis e uma oferta de 42 mil quartos. Com o aumento da ocupação dos hotéis, a Prefeitura detectou um crescimento de 26,6% ante 2009 na arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS) apenas no setor de hospedagem e turismo, totalizando R$ 158,4 milhões.

Ainda de acordo com o levantamento da Prefeitura, foram criados 413 mil postos de trabalho no setor e o faturamento chegou a R$ 9,6 bilhões em 2010. Ao todo, São Paulo recebeu 11,7 milhões de visitantes no ano passado, sendo 10,1 milhões de brasileiros. A média de estadia na cidade também cresceu, de 2,8 dias para 5,6 dias.

"O turista que vem a negócio ou para eventos tem algo a mais para fazer na cidade, que é essa agenda cultural riquíssima", afirmou Carvalho. O presidente da SPTuris avalia que o incremento na oferta de atividades culturais na cidade é o grande responsável pelo crescimento do setor. "São Paulo historicamente trabalhava negócio e evento. O que aconteceu de 2005 para cá, com os museus da Língua Portuguesa e do Futebol, a Virada Cultural, os shows da Broadway, fez com que tivéssemos um novo tripé: negócio, eventos e cultura", disse.

Economia criativa

A Prefeitura anunciou também a conclusão da primeira parte do inventário sobre economia criativa na cidade, que apontou um crescimento de 6,3% no setor que envolve moda, design, artes plásticas, teatro e cinema. "Isso mostra que São Paulo tem vocação para trabalhar nesta questão cultural. A praia de São Paulo é a cultura", ressaltou Carvalho. O levantamento é o primeiro e será importante para traçar indicadores e políticas para o setor. O estudo, iniciado em 2008, será feito anualmente.

Carvalho lembrou que a América Latina não tem tradição em fazer esse tipo de levantamento, como a Europa já faz. "O valor econômico do entretenimento nunca foi pensado pelos economistas", completou o presidente da SPTuris.

Investimento

Durante o evento de abertura da SPFW - que hoje é o quarto maior evento da cidade, atrás apenas da corrida da Fórmula 1, da Parada Gay e do Salão do Automóvel -, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou que a administração estadual oferecerá uma linha de crédito especial, por meio de banco de fomento, para as pequenas e médias empresas do setor têxtil, a juros de 8% ao ano mais o Índice de Preços ao Consumidor (IPC). "Isso vai evitar que muitas pequenas empresas morram", explicou o governador.

Além da opção do empréstimo, o banco de fomento oferece a possibilidade ao empresário do Fundo de Capital Semente, em que o governo participa com 20% do capital da empresa e passa a ser sócio do empreendimento. O governo do Estado dispõe de R$ 100 milhões para investir no programa.

Alckmin ressaltou a importância do investimento no setor e agradeceu aos organizadores da SPFW por terem colocado a cidade ao lado de centros da moda mundial, como Nova York, Londres, Milão e Paris. "O País deixou de ser exportador de produto primário para exportar criatividade, e esse evento colocou São Paulo no circuito da moda mundial", elogiou.

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