Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

São Paulo recebe torneio de robótica

Jovens de 9 a 15 anos disputam competição cujo tema é conservação e segurança de alimentos

Paulo Saldaña, de O Estado de S.Paulo

03 Março 2012 | 03h01

Os times precisam desenvolver pesquisas científicas que colaborem para conservação e segurança dos alimentos. Têm ainda de programar robôs que cumpram 15 tarefas como, por exemplo, capturar um rato, em 2 minutos e meio. Apesar da complexidade da empreitada, todos os participantes da First Lego League (FLL) têm entre 9 e 15 anos.

Criada em 1989, a FLL é um maiores torneios de robótica do mundo. Convida estudantes a realizar pesquisas em torno de um tema de impacto mundial. Já se falou de clima e oceanos, e a proposta da vez são os alimentos. Os estudantes têm ainda de desenvolver e programar os robôs, com base em um manual e peças entregues pela Lego.

A FLL chegou ao País em 2004 e já teve a participação de 1,7 mil crianças. No ano passado, rodadas regionais mobilizaram 272 times. As 45 melhores participam neste fim de semana da etapa nacional, no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. O evento ocorre hoje e amanhã, às 9 horas.

Um dos pilares do programa é o trabalho em equipe, o que não significa que alguém entre só para competir. O estudante Matheus Pessoa, de 15 anos, é do time AC/DC/EG, do Colégio Eduardo Gomes, de São Caetano, no ABC. Ele conta que o time passou seis horas diárias treinando com o robô e refinando o projeto científico. "Ficamos 15 dias nos reunindo sem achar nada, procurando pesquisas, até que chegamos à ideia de uma caixa que preserva comida", conta. "Meu interesse no torneio é a ciência."

A equipe desenvolveu uma caixa de plástico projetada para transporte de alimentos. Ela é equipada com Led Ultravioleta C, cuja onda eletromagnética é suficiente para matar micro-organismos. A equipe se valeu de um estudo realizado pela USP segundo o qual a vida útil dos alimentos irradiados aumentou.

Formada só por meninas, as Robotics Girls, do Sesi de Itapetininga, interior do Estado, criaram um sistema de identificação e monitoração de excesso de agrotóxicos em alimentos. "Tivemos a ideia depois de uma reportagem que mostrava que o Brasil é o País que mais consome comida com agrotóxicos", explica Alice Galvão, de 12 anos, que ontem estava ansiosa com a final.

Os alunos são avaliadas pelo projeto, os robôs e a demonstração de espírito de equipe. "É uma experiência transformadora para todos", defende Mirian Fávaro, diretora do Instituto Aprender Fazendo, responsável pela FLL no Brasil. Pesquisas sobre o impacto dos torneios no exterior mostraram que 69% dos participantes tiveram ganhos em habilidade de escrita e 63% relataram interesse em ser engenheiro.

As três melhores equipes ganham vagas para participar de três grandes torneios de robótica do mundo, dois nos Estados Unidos e um na Europa. Mas, por enquanto, só as vagas: os custos de viagem ainda precisam ser rateados entre estudantes e escolas.

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