São Paulo se prepara para aumento dos casos de dengue no ano que vem

O número de casos de dengue no Estado de São Paulo deve voltar a subir em 2013, depois de dois anos seguidos de queda. A avaliação é do infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde. A expectativa se dá com base no caráter cíclico da doença, mas o cenário é agravado pela chegada do sorotipo 4 da dengue, que apareceu no Estado no início de 2011 e agora deve aumentar sua circulação.

MARIANA LENHARO, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h02

O governo já começa a planejar medidas preventivas para enfrentar a temporada de chuva e calor. Secretários de saúde dos13 municípios mais vulneráveis à dengue reúnem-se hoje na capital para discutir ações de controle do mosquito transmissor e estratégias emergenciais de tratamento dos infectados.

"Queremos verificar se os municípios necessitam de parceria com o Estado para facilitar a criação de hospitais de campanha e treinar os recursos humanos necessários", diz Boulos.

Para definir quais são os municípios mais vulneráveis, o Centro de Vigilância Epidemiológica e a Superintendência de Controle de Epidemia avaliaram mais de 200 cidades, onde inspecionaram cerca de 200 mil imóveis para checar o índice de infestação predial por Aedes aegypti.

Aquelas com mais de 60 mil habitantes que apresentaram índice de infestação maior que 1% - considerado preocupante no caso do mosquito transmissor da dengue - foram selecionadas para o encontro. O índice refere-se ao porcentual das amostras em que foram achadas larvas do mosquito. No topo da lista estão Guarujá, Araçatuba e Bauru.

Recipientes móveis, como garrafas, frascos, vasos de plantas e fontes ornamentais, são os depósitos mais comuns de larvas de Aedes aegypti, correspondendo a 45,5% do total encontrado pelo levantamento. Depósitos fixos, como tanques, calhas, lajes, piscinas não tratadas e ralos, respondem por 22% do total. Ferros velhos, entulhos e outros tipos de lixo representam 14,6%.

Boulos explica que, na dinâmica da dengue, as epidemias mais intensas se repetem a cada três ou quatro anos. "Em 2010, tivemos uma grande epidemia e agora estamos com índice de infestação parecido com o verificado em 2009, portanto a situação pode se repetir em 2013." Os primeiros casos da temporada podem aparecer já em dezembro, mas a preocupação maior é com os meses de fevereiro, março e abril.

"É uma situação que reúne muito calor, muita chuva e Aedes aegypti demais. Para nós, seria bom se chegássemos a essa época com pouca infestação por Aedes, mas não é o caso", diz.

Novo risco. O problema do sorotipo 4 é que, como sua circulação é recente, a maioria da população ainda está vulnerável a ele. Além disso, pacientes que já tiveram dengue de outros tipos e são infectados pelo sorotipo 4 podem apresentar formas mais graves da doença, como a febre hemorrágica.

O infectologista lembra da importância da população no combate à doença. As recomendações de não deixar água parada em vasos, garrafas e pneus devem ser seguidas sempre. "A dengue não respeita classe econômica, pode acontecer em qualquer lugar. Pessoas que cuidarem de suas casas e fizerem uma comunhão com seus vizinhos não terão a larva", diz.

Neste ano, foram notificados em São Paulo 20.821 casos de dengue autóctone até outubro, que causaram 12 mortes. Levantamento da secretaria estadual mostra que 31% dos casos deste ano concentraram-se no Vale do Paraíba e no Litoral Norte.

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