Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

São Paulo tem o dia mais seco desde 2009

Entre as 14h e 15h, o índice de umidade relativa do ar chegou a 10%

Gheisa Lessa - estadão.com.br,

21 de agosto de 2012 | 12h49

Texto atualizado às 20h50.

SÃO PAULO - Com mais de 20 dias sem chuva, a cidade de São Paulo registrou nesta terça-feira, 21, o dia mais seco desde 2009. Entre as 14h e 15h o índice de umidade relativa do ar chegou a 10%. O baixo índice colocou toda a cidade em estado de emergência.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a umidade do ar ideal deve ficar próximo dos 60%. Por volta das 15h40 a região do Aeroporto de Congonhas, an zona sul, registrava 13% de umidade no ar enquanto as intermediações do aeroporto do Campo de Marte, na zona norte, chegavam a 17%.

Tempo. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) explica que nos meses em que ocorrem poucas chuvas é comum que a umidade do ar fique reduzida, o que causa um aumento nos níveis de dióxido de enxofre na cidade. Esta elevação faz surgir ou agrava doenças respiratórias, cardiovasculares e oculares. A umidade relativa do ar pode ser considerada prejudicial quando está abaixo dos 30%.

A baixa umidade do ar é registrada em função da ausência de chuvas em todo o Estado associada ao aumento da temperatura. O meteorologista do Inmet, Marcelo Shneider explica que além de o inverno brasileiro ser caracterizado por poucas chuvas o mês de agosto costuma ser o período mais seco do ano.

O período de maior estiagem já registrado na capital paulista aconteceu no ano de 1985, segundo informou o instituto. Segundo os dados, foram 61 dias sem chuvas entre 12 de junho a 11 de agosto.

Neste ano, a última chuva registrada em São Paulo aconteceu de forma fraca entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, na zona norte do Estado, conforme registros do Inmet. Durante a data, apenas 0,3 milímetros de precipitação foram computados. "O mês ainda não terminou e é provável que aconteça uma virada climática até o fim de agosto, mas nenhuma chuva forte, apenas garoas ou precipitações pequenas devem acontecer. O inverno começou com muitas chuvas em junho e julho, é normal que agora venha uma estiagem", afirmou o meteorologista.

O calor também preocupa. De acordo com o meteorologista do Inmet, o aumento da temperatura no Estado tem influência do fenômeno El Niño, que aqueceu as águas do Oceano Pacífico nos últimos três meses e, com isso, deixou de causar frentes frias sobre o Estado. Neste mês, a temperatura média mínima registrada foi de 14,2ºC enquanto a máxima média chegou a 25,5ºC. A média do mês, durante os últimos 30 anos, é de mínima de 13ºC e máxima de 24ºC.

O inverno deste ano começou oficialmente no dia 20 de junho e termina em 22 de setembro. A previsão do instituto é de que durante o próximo mês, o Estado continue registrando o aumento da temperatura além do aumento das chuvas.

Saúde. A Defesa Civil aleta os paulistas que sempre que a umidade relativa do ar estiver abaixo dos 30%, no estado de atenção, deve ser evitada a prática de exercícios físicos ao ar livre e recomenda o uso de umidificadores de ambiente, como vaporizadores, toalhas molhadas ou recipientes com água, além de beber bastante água ao longo do dia.

Espirros, tosse, ressecamento da garganta, o aumento de infecções respiratórias, crises de rinite, asma e o ressecamento da pele estão entre os principais sintomas que as pessoas, principalmente adultos e crianças, podem sofrer com o ar seco. A Defesa Civil aconselha àqueles que tiverem o aumento dos sintomas a procurarem orientação médica.

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