São Paulo terceiriza serviço em parque

Fundação terá autorização para fechar parcerias com iniciativa privada e explorar atrativos turísticos em 33 unidades de conservação

AFRA BALAZINA, ENVIADA ESPECIAL AO VALE DO , RIBEIRA, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2011 | 03h05

O Parque Estadual Intervales, no Vale do Ribeira, possui três pousadas e um restaurante. Já o Parque Estadual da Caverna do Diabo, na mesma região, conta com restaurante, loja de souvenir, centro de visitantes e guias para conduzir turistas.

Em breve, os serviços oferecidos nesses e em outros parques estaduais paulistas poderão ser operados por empresas, ONGs e comunidades locais, por meio de concessões. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) assina na quinta-feira um decreto para permitir que a Fundação Florestal, que gerencia 92 unidades de conservação no Estado, formalize parcerias com a iniciativa privada para explorar os atrativos turísticos de 33 áreas.

No caso de Intervales, será possível terceirizar as pousadas e aumentar o número de leitos - hoje são 88. Na Caverna do Diabo, há potencial para oferecer tirolesa aos visitantes e criar novas trilhas. Os primeiros editais serão lançados no início de 2012, segundo João Gabriel Bruno, diretor executivo da Fundação Florestal. Ele diz que os editais poderão incluir a construção de novas instalações, dependendo da necessidade de cada parque.

A gestão ambiental e a fiscalização dos parques, porém, continuam sob responsabilidade do órgão. "Queremos aumentar a capacidade operacional da Fundação Florestal com foco na conservação e melhorar os serviços voltados para atendimento ao público visitante", diz Bruno Covas, secretário estadual do Meio Ambiente.

O diretor executivo da Fundação Florestal reforça que a medida modernizará a gestão. "No mundo inteiro é assim", afirma ele, citando parques na África e nos EUA como modelos.

Na opinião do gestor do parque, Paulo Camarero, a gestão ficará mais ágil. "Imagina quanto tempo eu levo pelo Estado para conseguir comprar edredons para as pousadas?", indaga.

A maioria das unidades escolhidas para participar do programa é de parques - há também dois monumentos naturais. As estações ecológicas não se enquadram no projeto, pois nelas não é permitida a visitação pública. Com as concessões, o diretor executivo espera que, em quatro anos, a Fundação Florestal não dependa mais dos recursos do governo para manter suas atividades.

Tipos de serviços. Os atrativos das unidades de conservação de São Paulo incluem 169 trilhas, 77 cachoeiras e 25 cavernas. As concessões poderão ser feitas para atividades de ecoturismo, como arborismo, rafting e rapel. A trilha do Contínuo de Paranapiacaba, que ligará os parques Petar a Carlos Botelho, passando por Intervales, é uma que poderá ser terceirizada.

"O projeto de implantação está pronto. Ela terá 120 quilômetros e será a maior trilha do Brasil", diz Boris Alexandre César, diretor adjunto de operações da Fundação Florestal.

A iniciativa privada também poderá cuidar dos estacionamentos, operar a portaria e a cobrança de ingressos, cuidar das estradas-parque e até da realização de exposições nos parques.

Em média, o visitante paga hoje R$ 6 para entrar nas unidades. Algumas unidades não cobram ingresso, por não oferecer infraestrutura adequada. Segundo o diretor executivo da Fundação Florestal, o valor do ingresso deve continuar acessível.

Visitação. Intervales teve um aumento de 122,1% na visitação de 2009 para 2010. No ano passado, um total de 15,9 mil pessoas passaram pelo parque.

Segundo o gestor do parque, Paulo Camarero, o crescimento no número de turistas se deu em parte pelo fato de funcionários de algumas empresas e prefeituras da região terem recebido gratuidade para entrar.

A principal preocupação de Camarero na gestão do parque é com os palmiteiros. "Temos uma pressão muito grande de palmiteiros e, só em 2010, apreendemos cerca de 4 mil palmitos in natura", conta.

O número de observadores de aves, principalmente vindos do exterior, também cresceu em Intervales. Em 2009, foram 152 apreciadores de aves; no ano passado, foram 780. Eles procuram avistar o pica-pau-de-cara-canela, a saíra-sete-cores e a corujinha-da-mata.

Boris Alexandre César, diretor adjunto de operações da Fundação Florestal, avalia que o número de turistas em parques tem potencial para triplicar.

"Hoje, não podemos fazer propaganda maciça dos parques porque não temos ainda condições de atender muito mais gente."

O Parque Estadual da Caverna do Diabo pode receber no máximo 370 pessoas por dia. "Se melhorarmos a iluminação da caverna e inaugurarmos mais trilhas, teremos como atender mais turistas", diz César.

Na caverna mais famosa do País, que possui escadas com corrimões e é de fácil acesso, é permitida a entrada de 12 a 24 pessoas a cada 20 minutos - os grupos ficam até 1 hora e meia na gruta. E é necessário um guia para cada 12 pessoas.

Josias Moreira, de 45 anos, é um dos monitores. Ele também preside a Associação do Quilombo Sapatú, com 85 famílias, vizinho ao parque. "Antigamente, trabalhei com palmito. E também tive roça. Nós plantávamos arroz e feijão para subsistência e banana para vender", conta ele. Mas o guia está realizado com o trabalho na Caverna do Diabo, onde está há 18 anos. Ele acha que a terceirização deveria beneficiar principalmente os moradores do entorno das unidades de conservação.

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