Sarkozy apóia presença do Brasil no Conselho de Segurança

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, apoiou na segunda-feira a reivindicação brasileira por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, dizendo que o país tem tido um papel vital nas decisões globais tomadas em meio à atual crise financeira. "Estou sendo honesto quando digo que precisamos do Brasil para a governança mundial", disse Sarkozy, que preside a União Européia neste semestre, em discurso no primeiro dos dois dias de uma cúpula Brasil-UE no Rio. "Penso que precisamos do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança", afirmou. O Brasil, principal economia da América Latina, vem exigindo uma maior influência sobre os assuntos mundiais desde o início da atual crise, argumentando que o mundo precisa de um novo sistema decisório, com mais países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva referiu-se à cúpula de novembro do G20 (países desenvolvidos e emergentes) em Washington como "um passo decisivo" para que os países em desenvolvimento ganhem mais poder. Aquela cúpula abriu espaço para que mais países tenham presença na direção do FMI e do Banco Mundial. Sarkozy, que na terça-feira deve assinar um importante acordo de cooperação militar com o Brasil, disse que os dois países deveriam levar uma proposta conjunta à próxima reunião do G20, marcada para abril em Londres, salientando a importância de controles mais rígidos contra a especulação financeira. "A Europa trabalhará de mãos dadas com o Brasil. É importante que a França e o Brasil cheguem a uma proposta que mostre que não queremos um mundo de especuladores, mas de empresários", afirmou. Lula, a exemplo do colega francês, defendeu uma maior participação do Estado nas economias, inclusive dos EUA, que, segundo ele, são os principais responsáveis pela crise. "O (futuro) presidente (dos EUA, Barack) Obama tem sobre suas costas uma responsabilidade que poucos presidentes do mundo têm", disse Lula em seu discurso. "Ele tomará posse com uma crise pela qual os Estados Unidos têm mais de 60 por cento de responsabilidade." ACORDO MILITAR O acordo militar a ser assinado por Sarkozy permitirá a transferência de tecnologia da França para ajudar o Brasil a construir quatro submarinos convencionais. O tratado também deve colocar o país no caminho de desenvolver seu primeiro submarino nuclear. Na semana passada, o governo divulgou um novo plano estratégico de defesa que transfere a ênfase da defesa das fronteiras amazônicas para a proteção das reservas petrolíferas do Atlântico. O plano propõe benefícios fiscais e mecanismos de financiamentos para fortalecer a indústria bélica nacional e para adquirir equipamentos. Autoridades negam que essa iniciativa se destine a acompanhar o crescimento militar da Venezuela e de outros países da região.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.