Sarkozy defende veto a minaretes

Líder francês cria polêmica ao comentar referendo suíço; pesquisas em 5 países indicam apoio à medida

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

A decisão dos suíços de proibir a construção de minaretes em mesquitas no país ameaça se proliferar na Europa. Ontem, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, indicou sua simpatia ao veto e disse que o "Islã moderado" fracassaria se tentasse desafiar os valores republicanos e cristãos. Suas declarações foram interpretadas por opositores de seu governo como uma estratégia para reverter seu índice de popularidade, que atingiu ontem seu ponto mais baixo - 39%.

Pesquisas de opinião entre a população da Espanha, Grã-Bretanha, Bélgica, Alemanha e França indicaram que um referendo sobre a proibição de minaretes seria aprovado, assim como ocorreu na Suíça.

Um referendo na Suíça, no dia 29, aprovou por quase 60% dos votos o veto aos minaretes, provocando duros ataques de países muçulmanos. A Turquia ameaçou retirar o dinheiro dos bancos suíços, enquanto o líder líbio, Muamar Kadafi, advertiu que os suíços tinham dado "um grande presente" para Al-Qaeda, insinuando a possibilidade de um atentado do grupo terrorista como retaliação.

Na Suíça, existem 160 mesquitas, mas apenas 4 minaretes para um população de 400 mil muçulmanos, a maioria da Bósnia.

Na Europa, alguns líderes condenaram a decisão dos suíços e o chanceler francês, Bernard Kouchner, chegou a dizer que estava "chocado e escandalizado".

O Vaticano também criticou a aprovação e ordenou a seus bispos e padres nas paróquias na Suíça que usassem seus sermões para pedir tolerância religiosa. O Vaticano teme ataques contra Igrejas em países com maioria muçulmana.

Até o próprio governo suíço criticou a aprovação do referendo, convocado por um partido conservador. Mas informou que acatará a vontade do povo.

Ontem, Sarkozy desautorizou seu chanceler e apelou a líderes religiosos e fiéis muçulmanos que evitem os sinais de "ostentação e de provocação". O líder francês ainda se disse surpreso com o repúdio dos líderes europeus à decisão.

Em um artigo publicado no jornal Le Monde e no jornal suíço Le Temps, Sarkozy saiu em defesa da decisão dos suíços, alegando que era direito do povo debater a questão da identidade nacional. "Em vez de condenar os suíços, devemos tentar entender o que eles quiseram expressar e o que tantas pessoas na Europa sentem, até mesmo na França", disse.

O artigo de Sarkozy não foi publicado por acaso. Na França, ele lidera um debate sobre a identidade nacional, a poucos meses das eleições regionais. O debate está sendo conduzido no Parlamento, onde um projeto de lei foi apresentado sugerindo que em atos oficiais, como casamentos, nenhuma bandeira que não seja a francesa seja exposta pelos convidados. Em janeiro, o Parlamento ainda considerará proibir o uso da burca.

Para a oposição, o que Sarkozy está fazendo é levantar o tema da imigração indiretamente para tentar roubar votos que iriam para a extrema-direita, e elevar sua popularidade. Martine Aubry, líder do Partido Socialista, acusa o presidente de adotar uma ação calculada para obter votos e apoio, mas ao mesmo tempo incentivando a xenofobia. Sarkozy rejeita as acusações e indica que a votação na Suíça demonstrou que há um mal-estar em relação ao Islã.

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