Sarney culpa gestão Dilma por desastre

Segundo o ministro do Meio Ambiente, a gestão anterior é culpada pelo corte do repasse financeiro que a Noruega faria ao Fundo da Amazônia.

Luci Ribeiro / BRASÍLIA, O Estado de São Paulo

24 Junho 2017 | 18h14

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, atribuiu ontem ao governo do PT a culpa pelo corte do repasse financeiro que a Noruega fará ao Fundo da Amazônia. “O desmatamento que aumentou é fruto da gestão passada, não é fruto da nossa gestão”, disse em coletiva de imprensa que convocou para esclarecer o que chamou de “mal entendido da imprensa”. 

Sarney Filho ressaltou que o valor menor de recursos é resultado de “cálculo matemático”, não depende de “vontade política” da Noruega e não representa “nenhuma retaliação” ao governo de Michel Temer, que, segundo o ministro, tem investido no meio ambiente. “Não houve nenhum retrocesso na área.”

Sarney Filho destacou que o desmatamento no Brasil ainda é contido principalmente por operações de comando e controle, executadas principalmente por Ibama e ICMBio, que estavam sem ação efetiva por falta de orçamento. “Quando assumimos o ministério, os órgãos de fiscalização estavam com seus orçamentos defasados. O desmatamento estava em curva ascendente. As operações de controle estavam devagar, quase não existiam mais.”

Gestão Dilma. Ministra do Meio Ambiente na gestão Dilma Rousseff, a bióloga Izabella Teixeira refutou as críticas feitas por Sarney Filho. Ao Estado, ela disse que “nunca cortou” a fiscalização do Ibama e defendeu que o motivo pelo qual a Noruega decidiu reduzir repasses envolve não só alta do desmatamento, mas também retrocessos ambientais no País. Ela cita como exemplo ações da bancada ruralista no Congresso para flexibilizar o licenciamento ambiental e a redução de unidades de conservação. Para Izabella, isso passou um sinal de “liberou geral”, que teria sido mal visto pelos noruegueses. “E o problema é maior, precisava de uma Lava Jato para a Amazônia para enfrentar a corrupção associada ao desmatamento.”/COLABOROU GIOVANA GIRARDI

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