Divulgação/Produtora Badalhoca
Divulgação/Produtora Badalhoca

Sátira à campanha de cerveja provoca manifestação na web

Desde terça, mais de 100 pessoas enviaram mensagens no Twitter a favor de comediante carioca

Ana Freitas, estadao.com.br

16 de março de 2009 | 15h48

Na última semana, o site de microblog Twitter foi palco de mais uma manifestação virtual. Dessa vez, foi em defesa do humorista Ronald Rios, carioca de 21 anos, que se envolveu em um imbróglio virtual com a cervejaria Skol.

 

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Desde terça, dia 10, mais de 100 pessoas publicaram mensagens com a tag #FREERONALDRIOS (free Ronald Rios). Os posts traziam links para um blog e uma estampa de camiseta a favor do comediante, que publicou um vídeo no YouTube parodiando uma campanha da cerveja.

 

Rios escreveu e, com o diretor Erik Gustavo, filmou e colocou no ar uma sátira a uma campanha oficial da Skol, na qual os humoristas Rafinha Bastos e Danilo Gentili contam piadas no formato "stand-up" e convidam os usuários da marca a fazerem o mesmo. O mote da campanha é selecionar os melhores vídeos enviados pelo público para veicular na televisão.

 

"Se você também tem uma história que, quando aconteceu, você pensou: 'eu ainda vou rir disso um dia', conte-a e envie o vídeo para gente!", dizem Rafinha e Gentili nos vídeos que estão no YouTube.

 

Veja o vídeo feito por Rafinha Bastos para a campanha:

 

 

A paródia de Rios e Gustavo foi editada visualmente para ficar idêntica aos vídeos oficiais da campanha da Skol, e isso incluía o logotipo da marca. No vídeo, Rios conta casos tristes de situações envolvendo alcoolismo, com o som de gargalhadas ao fundo no fim de cada história. "O vídeo só queria tirar sarro da campanha, não teve nem a intenção de fazer campanha antialcoolismo ou diminuir os comediantes", contou o humorista.

 

A sátira acabou lhe rendendo um e-mail da agência responsável pela ação, que pedia para que a imagem da Skol fosse desassociada do vídeo. "Assim que eu soube, deletei (o vídeo) imediatamente", explicou. "Depois, conversei com uns amigos que tinham passado por situações semelhantes. O que decidi fazer foi colocar uma nova versão do vídeo no ar." O novo esquete, também publicado no YouTube, mantém o mesmo texto, mas mostra Rios em um fundo verde e não faz nenhum tipo de referência à Skol ou à campanha.

 

Confira a paródia feita por Ronald Rios e Erik Gustavo:

 

 

Naquela terça, o comediante Rafinha Bastos, um dos participantes da campanha, disse à reportagem que ainda não havia visto o vídeo, mas que já sabia da história. Rafinha pediu explicações sobre o conteúdo do material, deu risada no telefone e disse que no lugar de Rios seria "o primeiro a fazer esse tipo de piada". "A internet é um mundo livre para tirar sarro de quem você quiser, não adianta barrar. Se ele não gostou da (minha) piada, tem que tirar sarro mesmo", argumentou. "A única coisa que acho que justifica tirar um vídeo do ar é violação de direito autoral. E sobre o vídeo do Ronald, quero ver sim, conheço ele, é um cara supercriativo", disse.

 

AÇÕES CONTROVERSAS

 

O caso rendeu críticas contra a Skol na web, que foi acusada por essa centena de blogueiros de "não saber brincar".

 

Não é a primeira vez que uma grande empresa tenta chegar mais perto do consumidor final através de ações em mídias sociais e enfrenta uma repercussão negativa. Recentemente, a LG e a cantora Marisa Monte também receberam reações negativas de usuários a campanhas promovidas em redes sociais. Saiba mais aqui

 

De acordo com Edney Souza, sócio-diretor da Pólvora, uma agência especializada em consultoria e desenvolvimento de ações em ambientes on-line, uma reação ruim não é exatamente uma surpresa.

"Você deve esperar qualquer tipo de reação. Mesmo a campanha mais legal deve ter gente falando mal", explica. Para Souza, esse é um problema comum quando as empresas desejam se aventurar numa rede social. "A publicidade tradicional não está acostumada com isso. Se o cara reclama no sofá da sala dele, isso não traz problema (para a marca). Agora, quando o cara coloca o vídeo no YouTube e chama as pessoas para assistir..."

 

RESULTADO

 

Quando procurada pela reportagem, a agência que enviou o e-mail para Rios disse que o caso deveria ser resolvido diretamente com a Ambev, dona da marca Skol.

 

Segundo a Ambev, em nenhum momento a empresa pediu a Rios que removesse o vídeo do YouTube. O alerta teria solicitado apenas que a paródia fosse dissociada da marca e que não desse a impressão que ele tivesse sido contratado pela empresa.

 

Rios nega. O humorista enviou à reportagem uma cópia do e-mail que teria recebido. Na mensagem, a agência pede para que o vídeo seja removido, devido à presença do logo da Skol e da referência ao site oficial da campanha.

 

De acordo com a Skol, a empresa não tem a intenção em "remediar" ou fazer uma contra-ação à campanha de usuários que criticaram a ação da cervejaria. O gerente de relações institucionais da Ambev, Alexandre Loures, disse que não considera as reações nos blogs e no Twitter um problema. "Eu gosto mais quando há repercussão do que quando passa em ‘brancas nuvens’, na verdade. Tem muita gente bacana que escreveu sobre o assunto em tom crítico, e eu não tenho nenhuma intenção de confrontar. Liberdade de opinião é um dos valores da marca, também. Todo mundo tem direito de fazer a leitura que quiser."

 

Diante das críticas que acusavam a Skol de "não saber brincar", Loures disse que a questão tem a ver com as implicações judiciais que o vídeo poderia ter. "Acontece que esse mercado tem uma auto-regulamentação publicitária, e a gente tem que estar sujeito às normas. Ele pode fazer piada com a Skol do jeito que ele quiser, só não pode dar a entender que nós o contratamos para isso, se não o contratamos. Aliás, ele até seria um nome que cogitaríamos contratar", explicou.

 

"Ele e qualquer um pode fazer quantos vídeos da Skol quiser, estejam à vontade. A marca, quando abre essa oportunidade, busca exatamente isso. Mas por favor, não diga que é contratado da Skol, não coloque o logo da Skol ou use o site da Skol, porque aí passamos a ser responsáveis pela história."

Segundo Loures, ele e a equipe da Skol acharam o vídeo divertido. "Achamos muito legal a paródia. Ele é um cara bacana, muito inteligente, faz a coisa acontecer e busca seu espaço, só não pode mentir", disse.

 

Para Rios, a intenção da sátira não era ser moralista ou ironizar os comediantes. "Foi só uma piada com uma campanha de publicidade que me pareceu tola, não estava tirando sarro do ‘stand-up’ e nem criticando a cerveja. Só a campanha", disse. "Vi o vídeo no site e fiquei com a sensação de que a agência mexeu muito nas piadas", criticou.

 

Loures garante que as piadas foram escritas por Gentili e Rafinha, e que não houve nenhum tipo de restrição quanto ao teor delas. "Estamos começando nessa plataforma, há quem goste das piadas e quem não goste, e a tendência é com o tempo ir melhorando e 'pegando o veio'. Mas eu fiz questão de me reunir com o Rafinha na última semana, e pedir para que ele avisasse o Danilo, para dizer que eles devem fazer o texto do jeito que quiserem. Não adianta contratá-los e pedir para que eles sejam publicitários, porque vão ficar ali com aquela cara de 'coxinha'. Daí nós gastamos dinheiro à toa e eles se expõem à toa", disse.

 

Rios disse que o episódio foi benéfico para ele, apesar da frustração. "A reação inesperada da Skol até foi boa para mim, porque as pessoas começaram a divulgar que a agência tinha pedido para a gente tirar o vídeo do ar. Eles ficaram com a imagem de 'dono da bola', daquele que se você não brinca do jeito que ele quer, ele leva a bola embora", esclareceu Rios. E desabafou: "E eu até estou triste porque gosto da cerveja, a última coisa com que eu me preocupei foi em fazer campanha anti-álcool. Quero muito que eles gostem. Minha maior vontade é que as agências entendam que se você não quer ter esse tipo de problema, então coloca inserção no intervalo da novela."

 

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