Saúde de Chávez leva Venezuela a suspender cúpula

Adiamento levanta mais suspeitas sobre a saúde do presidente, que segue em Cuba após cirurgia de emergência.

Claudia Jardim, BBC

29 Junho 2011 | 19h42

O governo da Venezuela anunciou nesta quarta-feira a suspensão da cúpula de lançamento da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), prevista para 5 de julho, devido ao estado de saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Por meio de um comunicado, o governo afirmou nesta quarta-feira que Chávez está sendo submetido "a um processo de recuperação" e "tratamento médico sumamente estrito".

"Por essa razão de força maior", o governo argumenta ter consultado os demais países e decidido, em comum acordo, adiar a realização da Cúpula para o segundo semestre deste ano.

A suspensão da cúpula, que seria realizada na Ilha Margarita, no norte do país, levanta ainda mais suspeitas sobre a gravidade da doença de Chávez, que continua em Cuba depois de ter sido submetido a uma cirurgia de emergência em 10 de junho para a remoção de um abscesso pélvico.

A situação abriu caminho para uma série de rumores e especulações da imprensa venezuelana, que afirma que o líder venezuelano sofre de câncer na próstata.

Prioridade

A Celac, bloco regional que exclui Estados Unidos e Canadá, passou a ser prioridade da agenda política do governo Chávez. Analistas consideram, inclusive, que decisões do governo - como a extradição de um jornalista acusado de manter vínculos com a guerrilha colombiana - são a uma tentativa de manter um bom clima com a Colômbia em nome da fundação do organismo, visto como uma ferramenta de "união e independência" regional.

A Cúpula foi suspensa horas depois da transmissão de um vídeo em que Chávez aparece conversando com Fidel Castro. Nas imagens, o líder venezuelano aparece bem disposto e um pouco mais magro, recordando alguns encontros com o líder cubano e comentando fatos da história latino-americana. Nenhuma palavra foi dita sobre seu estado de saúde.

A ausência de Chávez, que há doze anos se tornou figura onipresente na vida política e social da Venezuela, preocupa seus simpatizantes na Venezuela.

"Fiquei aliviada quando vi as imagens, mas continuo angustiada, não sabemos o que ele tem e quero meu presidente de volta já", afirmou a comerciante Cristina Campos à BBC Brasil, enquanto acompanhava o telejornal matutino em uma TV instalada em uma praça, no centro de Caracas.

Na manhã desta quarta-feira, foi celebrada uma missa na capital pela recuperação do presidente.

A oposição, por sua vez, está irritada com a falta de informações sobre o estado de Chávez. Desde a cirurgia, nenhum boletim médico foi divulgado.

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Uma pesquisa do Instituto Venezuelano de Análise de Dados, divulgada pelo jornal El Universal, indica que 59% dos venezuelanos não aceita que Chávez governe fora de seu país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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