Saúde de detentas em São Paulo está em condições 'medievais'

Defensoria avaliou Penitenciária Feminina de Sant'Anna, na cidade de São Paulo, e pediu a interdição

Fabiane Leite, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 05h27

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo classificou como "medievais" as condições de saúde da Penitenciária Feminina de Sant'Anna, na zona norte de São Paulo, uma das maiores do País, e voltou a pedir à Justiça, na última terça-feira, a interdição do local, com 2.700 mulheres.Segundo o relato dos defensores públicos Geraldo Sanches Carvalho, Franciane de Fátima Marques e Carmen Sílvia de Moraes Barros, mesmo após visita do juiz corregedor de presídios da capital ao local após o primeiro pedido de intervenção - feito em maio deste ano após a morte de uma presa - ocorreram outras três mortes de mulheres que poderiam ser evitadas, uma delas possivelmente relacionada à leptospirose - doença transmitida por ratos.Os defensores afirmam que faltam médicos, dentistas, ginecologistas e psicólogas, que a água que abastece o presídio é suja e que o local continua infestado por pombos e ratos, que podem transmitir diferentes doenças.De acordo com os defensores, o juiz esteve no local e requisitou providências e informações à Secretaria da Administração Penitenciária, mas os dados ainda não chegaram à Justiça."Ocorre que o horror narrado nas denúncias iniciais (...) parece aumentar a cada dia que passa. (...) Agora são mais três mortes de presas: Terezinha Rosa Jesus; Hérica Pereira da Silva e Juliana Santos da Silva. Todas as mortes poderiam ser evitadas se socorridas as presas a tempo", diz o pedido ao juiz.Segundo os defensores, o caso mais grave é o de Juliana, que teve diagnosticados, no hospital do Mandaqui, zona norte, icterícia obstétrica aguda, insuficiência renal crônica e suspeita de leptospirose.Juliana também era portadora de sífilis, segundo informou o Centro Hospitalar Penitenciário aos defensores. "É do conhecimento público e notório que sífilis se cura com a simples administração de penicilina (um antibiótico). A sífilis terciária (...) é facilmente identificável (...), um simples e rápido exame clínico já é o suficiente", afirmaram ainda os defensores.A Secretaria da Administração Penitenciária, procurada pela reportagem no início da noite de ontem, informou que uma nova equipe de médicos deverá ser enviada ao local, mas disse que mais detalhes só poderiam ser dados por um diretor da unidade, que não foi localizado.

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