Saúde recebe 1º lote de 30 mil testes rápidos de sífilis

A Fundação Oswaldo Cruz anunciou ontem, véspera do Dia Nacional de Combate à Sífilis, que entregou ao Ministério da Saúde o primeiro lote de 30 mil testes rápidos de diagnóstico da doença, fabricados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos).

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2011 | 03h01

O novo teste - produzido com transferência de tecnologia do laboratório americano Chembio - permite que o resultado seja conhecido em 15 minutos. "Durante a consulta, o médico poderá saber o resultado e fará o encaminhamento adequado. Muitas vezes, com o teste de sangue tradicional, o paciente não volta para saber se tem ou não a doença", afirma o diretor de Bio-Manguinhos, Artur Couto.

Conforme a Organização Mundial de Saúde, por ano há 937 mil novos casos no Brasil. A estratégia da pasta será usar os kits rápidos para testar grávidas e seus parceiros. A intenção é evitar a sífilis congênita, que tem alta taxa de óbito - de 25 a 40% dos casos.

Hoje, a prevalência de sífilis em gestantes no País é de 1,6%, quatro vezes maior que a de infecção pelo HIV. Isso representa cerca de 48 mil gestantes infectadas, com estimativa de 12 mil casos de sífilis congênita por ano. Mas há grande subnotificação. Estudo realizado pelo ministério em 2006 revelou que apenas 17% das grávidas foram testadas para sífilis durante o pré-natal.

De 2000 a 2010, foram detectados 54.141 casos de sífilis congênita em crianças menores de 1 ano de idade. Do total acumulado nesse período, a Região Sudeste registrou 24.260 (44,8%) casos, seguida pela Nordeste, com 17.397 registros (32,1%).

A sífilis se manifesta como pequena ferida nos órgãos sexuais e ínguas na virilha. Os sintomas desaparecem, mas se não for tratada a doença pode levar a cegueira, doenças do coração e paralisia. Em crianças, é responsável por baixo peso, aumento do volume do baço e fígado, anemia severa, cegueira, surdez neurológica, retardo mental e hidrocefalia.

Pelo método tradicional, o paciente tem o sangue coletado e faz dois testes, um de triagem e outro de confirmação. O novo kit usa uma plataforma pouco maior que um cartão de crédito. Só uma gota de sangue é retirada do dedo do paciente. O resultado aparece expresso no próprio suporte - se aparecer somente uma linha verde (de controle), o exame é negativo; se surgir outra linha azul, o teste é positivo.

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